Visão Geral

Período Inicial

A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) tem por objetivo desenvolver atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão. Também conhecida simplesmente por "Faculdade de Filosofia", nasceu com a Universidade de São Paulo e, até certo momento de sua história, com ela se confunde. Por meio dessa faculdade, a USP adquiriu uma dimensão peculiar que a distinguiu das demais universidades brasileiras.

Originalmente Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), a FFLCH foi fundada em 25 de outubro de 1934 pelo Decreto-Lei n.6283 (veja aqui). Por seu caráter integrador, esse Decreto possibilitou que fosse rompido o isolamento das escolas tradicionais de ensino superior, que, de escolas ou apenas faculdades, passaram a unidades universitárias regidas por um único estatuto, todas integradas na FFCL. Assim, organismo de articulação e reflexão, a Faculdade assumiu estrategicamente “o significado do lugar onde o conhecimento pode ser elaborado dentro de uma perspectiva de unificação dos interesses sociais” (cf. CARDOSO 1982) - característica essa que só seria alterada cerca de trinta anos após sua criação, através da “Reforma Universitária” de finais dos anos 60. Com a Reforma, os antigos cursos de Física, Química, Matemática e Estatística, Biociências, Geociências, Psicologia e Educação separaram-se da FFCL para se constituírem em Institutos e/ou Faculdades autônomos.

Deve-se de todo modo ressaltar que a Faculdade de Filosofia foi responsável pelo estabelecimento de uma organicidade na diferenciação dos vários campos do saber que a compunham e que, segundo Florestan Fernandes (1984), “como uma universidade em miniatura, ela sozinha povoou o meio ambiente com nomes notórios em todas as áreas do saber e provocou um surto cultural sem paralelos na história intelectual do país”.

Dessa forma, enquanto instituição, a FFLCH viveu diferentes momentos em sua trajetória, tendo que batalhar inclusive pela conquista de um espaço físico, pois, durante vários anos, funcionou sem poder contar com uma sede única. Sem instalações próprias, diferentemente do que ocorreu com as demais unidades da Universidade à época (como as Faculdades de Direito, Medicina, Sciencias Economicas e Commeciaes e Escola Polytechnica, por exemplo), a FFCL iniciou seu funcionamento em prédios cedidos provisoriamente, transferindo-se de local para local e mudando de endereço repetidas vezes até fixar-se na Rua Maria Antônia, em 1947, e ser transferida depois para a Cidade Universitária.

 

Primeiras Instalações

A FFCL teve suas primeiras sedes instaladas nas dependências da Faculdade de Medicina e da Escola Politécnica, onde funcionou com cerca de cento e oitenta alunos, distribuídos por sete cursos: Química; Ciências (Biologia, Botânica, Mineralogia, Paleontologia); Geografia e História; Ciências Sociais; Letras; Matemática; Física.

No segundo semestre de 1937, coube ao Prof. Ernesto de Souza Campos, nomeado Diretor da Faculdade de Filosofia, instalar provisoriamente parte das Seções desta Faculdade em prédio situado na Rua da Consolação, n. 76. Era o antigo solar do Dr. José Cássio de Macedo Soares, edifício que, após seis meses de tal instalação, foi demolido para dar início às obras da Biblioteca Municipal.

Assim, no dia 31 de dezembro desse mesmo ano, a Faculdade - mais especificamente a Seção de História Natural (Biologia, Botânica, Mineralogia, Paleontologia e Zoologia) - mudou-se para o Palacete Jorge Street, antigo edifício da Companhia de Seguros Sul-América, na esquina da Alameda Glete com a Rua Guaianases. Já o Departamento de Química permaneceria ainda, durante algum tempo, no prédio central da Faculdade de Medicina, para transferir-se depois, em 1939, para um edifício construído nos jardins da Mansão Street.

Os Departamentos de Letras, Filosofia, Geografia, História e Matemática, por sua vez, foram instalados no terceiro pavimento da Escola Caetano de Campos, na Praça da República, que abrigou, também, a Administração, a Biblioteca a o Auditório da Congregação.

As Seções de Matemática e Física, até então instaladas na Escola Politécnica, mudam-se para uma pequena casa na Avenida Tiradentes, para depois transferirem-se novamente, desta vez para a Avenida Brigadeiro Luiz Antônio.

Já em 1947, ocorre a mudança para o endereço que marcaria a história da Faculdade: Rua Maria Antônia n. 258. A Administração, a Biblioteca, a Oficina Gráfica e as Seções de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, instalaram-se nesse local, que passou a ser o centro das decisões da Faculdade. Buscava-se uma universidade cujos alunos pudessem participar paritariamente do processo acadêmico; discutia-se a possibilidade de uma democracia social e cultural, de uma universidade pluralista; reivindicava-se o aumento de vagas, de verbas e de recursos. Procurava-se construir uma universidade aberta, livre, e que mantivesse vivo o traço renovador do projeto USP. Compromisso crítico, reflexão e pluralidade.

Mais adiante, no entanto, a segunda metade dos anos 60 constituiria outro marco importante na história da instituição: tempo de passeatas pela cidade, assembleias, manifestos e reivindicações. Em 1968, ocorrem na Maria Antônia atritos com grupos paramilitares que, infiltrados na Universidade Mackenzie, atacam estudantes e destroem parcialmente as instalações da Faculdade. Em seguida, apesar de resistências, a FFCL é transferida definitivamente para a Cidade Universitária e instalada, provisoriamente, em barracões pouco adequados. A mudança completa de todos os seus Departamentos teria lugar em finais do ano 1968 e início de 1969, de forma quase sempre precária.

É conhecida dessa época a incidência de abusos autoritários sobre a Universidade e, em abril de 1969, vários professores da USP e de outras instituições de ensino e pesquisa foram punitivamente aposentados, com base no Ato institucional n. 5. Nesse momento, são aposentados, entre outros: Florestan Fernandes, Octavio Ianni, Fernando Henrique Cardoso, Bento Prado Jr., Paula Beiguelman, Emília Viotti da Costa e José Arthur Gianotti. Com base no mesmo Ato, Ada Natal Rodrigues seria aposentada posteriormente, em 1972.

Ainda na década de 70, o histórico prédio da rua Maria Antônia seria vendido ao Governo de São Paulo, passando a abrigar então a sede da Junta Comercial do Estado. 

Os cursos mantidos após a conversão da FFCL em FFLCH através da Reforma de 1970 - nas áreas de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - enfrentariam ainda pelo menos uma década de mudanças e transferências dentro do Campus até assumirem sua configuração mais duradoura, contando com três prédios didáticos, além de outras instalações, como os prédios da Administração e da Biblioteca Florestan Fernandes.

 

Prédio da Maria Antônia

Na década de 1980, iniciou-se um intenso movimento de recuperação desse edifício para reintegrá-lo ao patrimônio da USP. Após o restauro e a recuperação do prédio, instalou-se nele o Centro Universitário que leva o nome da legendária Rua Maria Antônia, contando com pronta adesão da comunidade e se consolidando como novo polo de difusão cultural da Universidade de São Paulo. Localizado no centro da cidade, em ambiente notavelmente diverso daquele que marcara os anos 60, mantém vivo ali o espírito de inovação e crítica, característico de toda a trajetória da Faculdade de Filosofia em suas diferentes fases.

 

 

 

 

 

 

Referências Bibliográficas

CARDOSO, Irene Arruda Ribeiro. A Universidade da Comunhão Paulista. São Paulo: Cortez, 1982.

FERNANDES, Florestan. A questão da USP. São Paulo: Brasiliense, 1984.