Departamentos

Departamento de História (DH)

O Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo oferece o curso de história mais antigo do país, tendo formado várias gerações de pesquisadores e professores. A formação de docentes para ensino médio, fundamental e superior dos setores público e privado é objetivo de destaque desde sua fundação, em 1934. Existindo separadamente do curso de Geografia desde 1956, passa a contar em 1971 com dois Programas de Pós-Graduação: História Social e História Econômica. Apesar da antiguidade de sua fundação, a multiplicação de instituições ligadas à preservação e ao estudo da memória, assim como o aumento de acervos históricos e culturais, e também a criação de novas demandas por parte da sociedade, foram acompanhadas pelo Departamento, que veio ampliando as áreas abrangidas no que diz respeito aos conteúdos ensinados e às pesquisas desenvolvidas pelos grupos de estudo nele existentes.

 

Departamento de Geografia (DG)

O Departamento de Geografia da FFLCH-USP tem sua origem no ano de 1934, na sub-seção de Geografia e História da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL). Naquele ano, o ensino universitário da disciplina foi inaugurado com a cátedra de Geografia, sob responsabilidade do Prof. Pierre Deffontaines, que veio especialmente da França para ocupa-la. Já em 1935, porém, assumiria o seu lugar o também francês Prof. Pierre Monbeig.

Em 1939, a cátedra seria desdobrada em duas: Geografia Humana e Geografia Física. A primeira foi ocupada pelo Prof. Pierre Monbeig até o ano de 1946, quando foi substituído pelo Prof. Ary França, enquanto a segunda ficou sob responsabilidade do Prof. João Dias da Silveira. Já em 1942, às duas já existentes somou-se a cátedra de Geografia do Brasil, ocupada pelo Prof. Aroldo de Azevedo. Por fim, em 1956, em decorrência de lei federal, o curso de Geografia foi desmembrado da seção de História da Faculdade, criando-se um Departamento responsável pela formação específica na disciplina.

 

Departamento de Filosofia (DF)

Quanto à trajetória do Departamento de Filosofia, fala-se em três períodos. O primeiro referente ao intervalo que vai desde a fundação da Faculdade em 1934 até cerca de 1957, correspondendo à participação de professores franceses vindos com as tarefas específicas de criar as diretrizes básicas do curso de Filosofia e formar os futuros docentes; o segundo abrangendo o ano de 1958 e a década subsequente, e cobrindo assim a consolidação do estilo de trabalho que conferiu ao Departamento o seu caráter específico no panorama filosófico-universitário do País, sob influência de Granger, Guéroult e Goldschmidt, e apoio dos então catedráticos João Cruz Costa e Lívio Teixeira; e o terceiro tomando como ponto de partida o cenário político que se estabelece em 1968. 

A Reforma Universitária, através da imposição de uma estrutura rígida e do establecimento de diretrizes quantitativas de formação (créditos), teria exercido sérios impactos sobre a graduação em Filosofia, a qual se viu obrigada a migrar de um esquema de trabalho baseado na formação intensiva - com um número relativamente reduzido de disciplinas contrabalanceadas por exigências rigorosas no tocante à carga de leitura e trabalho aprofundado com os sistemas e autores tratados - para um esquema totalmente outro.

 

Departamento de Sociologia (DS)

O Departamento de Sociologia foi criado em 15 de setembro de 1987 (Resolução USP n. 3.362), com a divisão do antigo Departamento de Ciências Sociais, ligado em sua origem à “missão francesa” que colaborou para a fundação da USP em 1934. Com a divisão em três unidades departamentais autônomas – Antropologia, Ciência Política e Sociologia – os três departamentos passaram a se encarregar conjuntamente do curso de graduação em Ciências Sociais, tocando cada qual independentemente seu próprio programa de pós-graduação.

Foi a chamada “missão francesa” - composta por grandes nomes da ciência social da França, como Claude Lévi-Strauss, Roger Bastide, Paul Arbousse Bastide e Paul Hugon - que lançou as bases de uma tradição que, nas décadas seguintes, seria assumida como referência de identidade profissional para as novas gerações: aquela baseada na ideia de que, em tais áreas de conhecimento, o ensino não se desvincula da pesquisa, seja a pesquisa teórica, seja a empírica. É nessa trilha que Florestan Fernandes desenvolveria mais adiante sua exigente concepção de pesquisa sociológica, a qual, como se sabe, concretizou-se na produção de uma vasta obra pessoal e, desde logo, obteve o merecido reconhecimento das academias. Graças a sua obra e liderança intelectual, fincaram-se no chão do velho Departamento de Ciências Sociais rigorosos padrões de ensino e pesquisa, mas também de divulgação e comunicação do conhecimento científico, a repercutir decisivamente na crescente consolidação institucional das Ciências Sociais no Brasil.

Assim, em 1971 o Programa de Pós-Graduação em Sociologia da USP inicia suas atividades para os níveis de mestrado e doutorado, sucedendo as antigas “cadeiras de sociologia”, que haviam começado a outorgar títulos de mestre e doutor em 1945. Naquele ano inicial doutoraram-se dois orientandos do Prof. Roger Bastide; já o primeiro título de Mestre seria obtido em 1953, por Fernando Henrique Cardoso, sob orientação de Florestan Fernandes.

 

Departamento de Ciência Política (DCP)

Quanto ao estabelecimento do Departamento de Ciência Política, destaca-se a adoção de uma estratégia específica a partir do desmembramento do Departamento de Ciências Sociais em 1987. Consistia ela em incorporar docentes-pesquisadores experientes de outras instituições ou de departamentos da própria USP, com significativa bagagem acadêmica. Somados esses novos membros aos docentes-pesquisadores já pertencentes à área de Ciência Política, na sua maioria igualmente experientes e com reputações acadêmicas firmadas, constituiu-se um grupo diversificado quanto a formações de origem e experiências profissionais, que logo deu mostras de vigorosa vocação acadêmica.

Os interesses de pesquisa desse grupo convergiam para dois grandes campos temáticos: o da Teoria Política e o da Política Brasileira. No primeiro, o Departamento recolhia uma longa tradição de estudos em teoria política clássica e história das idéias políticas, que remontava a figuras do porte de Paul Arbousse-Bastide, entre os mestres franceses formadores da Faculdade de Filosofia, e Lourival Gomes Machado, da primeira geração de mestres formados pela USP. No segundo, ocupava lugar de destaque a análise das instituições políticas, do comportamento, da cultura e das ideias políticas no Brasil.

Posteriormente, muitos dos docentes dedicados ao estudo da política brasileira passaram a dar um enquadramento comparativo a suas pesquisas, entrando assim no terreno da Política Comparada e, de outra parte, passou a ser explorado sistematicamente também o campo da Política Internacional.

 

Departamento de Antropologia (DA)

Também a formação de mestres e doutores em Antropologia na USP é anterior à criação de um programa de pós-graduação na área, com as primeiras teses sendo defendidas desde 1945. Conhecida por ter recebido o influxo de grandes mestres, como Roger Bastide e Claude Lévi-Strauss, passa a organizar-se enquanto unidade departamental em 1987, atuando desde então em conjunto com os departamentos de Sociologia e Ciência Política na formação de bacharéis em Ciências Sociais.  Já a responsabilidade sobre a formação de antropólogos a nível de mestrado e doutorado caberia ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, estruturado desde 1972, com o estabelecimento crescente, desde então, de diversos grupos, laboratórios e núcleos de apoio à pesquisa.

Marcam a contribuição específica do Departamento a elaboração antropológica do conceito de cultura, a crítica às múltiplas formas de etnocentrismo e o exercício da reflexividade na construção dos temas de pesquisa e elaboração crítica de categorias de análise e sistemas classificatórios capazes de abranger a multiplicidade das diferenças culturais.

 

LETRAS

Inicialmente, o objetivo do curso de Letras constituia-se, quase exclusivamente, no preparo para o magistério, organizando-se pelo agrupamento de idiomas entre Línguas Neolatinas, Anglo-Germânicas e Clássicas. Através de uma reformulação federal, em 1962, o estudo de línguas estrangeiras deixou de ser ordenado pelo sistema anterior, passando-se a oferecer o ensino de idiomas e respectivas literaturas desvinculadas daqueles blocos linguísticos. É a partir desse momento, mais precisamente, que será adotada a designação genérica 'Letras' para definir o modelo de curso que se estabeleceria, organizado em torno das chamadas 'habilitações' específicas. Em um processo consolidado até o início dos anos 70, essas diferentes habilitações e respectivas disciplinas passariam a ser alocadas primeiramente sob três departamentos, para depois contar com outros dois, resultantes de processos mais tardios. Além disso, é a partir de 1989 que será estendido a todos os alunos o direito à habitação em Língua Portuguesa, além de uma segunda opção possível, entre uma língua estrangeira ou Linguística. 

 

Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (DLCV)

Quando se fala do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, enfatiza-se a presença dos chamados 'estudos clássicos' desde a fundação da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL). Entre os primeiros cursos que começaram a funcionar em julho de 1934, estava o de Letras Clássicas e Português, com suas cadeiras específicas: Filologia Grega e Latina, Literatura Grega e Literatura Latina. Em 1969/70, no entanto, profundas mudanças se operaram na USP. A despeito de alguns problemas decorrentes da Reforma Universitária, a FFLCH, então constituída, continuou a formar estudantes que se interessavam pela civilização greco-latina e pelas línguas e literaturas legadas por ela ao mundo moderno. O cuidado com os expedientes advindos dessas áreas de estudo ficariam a cargo do DLCV.

 

Departamento de Letras Modernas (DLM)

O Departamento de Letras Modernas foi criado em 1970, por ocasião da transformação da antiga Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências da USP na atual Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Nessa oportunidade, com a substituição do antigo regime de cadeiras pelo sistema departamental, foram incorporados ao DLM os docentes das antigas cátedras de Língua e Literatura Alemã; Língua e Literatura Francesa; Língua Espanhola e Literatura Espanhola e Hispano-Americana; Língua Inglesa e Literaturas Inglesa e Norte-Americana; e Língua e Literatura Italiana – que dariam origem às respectivas áreas didáticas do Departamento – bem como os docentes dessas línguas que atuavam então na antiga Escola de Comunicações Culturais (atual ECA-USP). Com isso, em lugar dos diplomas em Letras Neolatinas ou em Letras Anglo-Germânicas, a FFLCH passou a outorgar diplomas de graduação em cada uma dessas áreas, constituídas em cinco habilitações sob os cuidados do DLM.

 

Departamento de Letras Orientais (DLO)

A origem do Departamento de Letras Orientais remonta aos anos 40, quando foram criados alguns cursos livres na Faculdade, como os de Russo, Hebraico e Árabe. Duas décadas mais tarde, é criada a Seção de Estudos Orientais, ligada inicialmente ao Departamento de História da FFCL (Decreto Governamental n. 40.784 de 18/09/1962). Foi dado início, então, aos cursos de bacharelado das áreas de Árabe, Armênio, Hebraico, Japonês e Russo, sendo agregadas mais tarde a esta Seção, em 1968, as áreas de Chinês e de Sânscrito.

É a partir da reforma universitária de 1970 que a antiga Seção de Estudos Orientais passa para o âmbito do curso de Letras, com a criação do chamado Departamento de Linguística e Línguas Orientais, do qual faziam parte anda as áreas de Teoria Literária e Literatura Comparada, Tupi e Toponímia. Com a criação do Departamento de Linguística, em 1986, a seção passa a se denominar simplesmente Departamento de Letras Orientais, contando, nos anos imediatamente subsequentes, com a realocação das áreas de Tupi e Toponímia, bem como a de Sânscrito, e com a criação do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada, enquanto seção independente. Assim, permaneceriam no Departamento somente os bacharelados em Árabe, Armênio, Chinês, Hebraico, Japonês e Russo.

 

Departamento de Linguistica (DL)

Embora o Departamento de Linguística tenha sido criado em 1986, os estudos linguísticos na USP têm uma longa trajetória, com início formal datando de 1940, quando foi criada a cadeira de Linguística Indo-europeia na Universidade por iniciativa do Prof. Maurer Junior. Alguns anos mais tarde, em 1962, um parecer do Conselho Federal de Educação introduz a disciplina Linguística nos currículos de Letras. No entanto, mesmo sendo matéria obrigatória para todos os alunos, a Linguística só passaria a ser uma das habilitações integrantes do conjunto de opções oferecidas para os alunos de Letras a partir de 1972.

Estando inicialmente voltados para a pesquisa dos processos históricos de formação das línguas naturais - uma vez que seus iniciadores, Theodoro Henrique Maurer Junior e Isaac Nicolau Salum, desenvolveram estudos notáveis sobre o latim vulgar e a formação das línguas românicas - os estudos linguísticos na USP foram aos poucos ampliando o escopo de suas pesquisas, seguindo questões propostas por desenvolvimentos da Linguística mais recentes, e tendendo a uma abordagem mais ampla da linguagem humana em seus mais diferentes aspectos.

 

Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada (DTLLC)

O Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da FFLCH foi fundado em 1990 a partir da área de mesmo nome, criada na Universidade de São Paulo pelo Professor Emérito Antonio Candido, em 1961. O curso nascia, nas palavras de seu idealizador, com o intuito de “ensinar de maneira aderente ao texto” e “procurando mostrar de que maneira os conceitos lucram em ser apresentados como instrumentos de prática imediata, isto é, de análise”. Quanto aos textos escolhidos, procurava-se valorizar os autores contemporâneos, até então de pouca presença nos cursos da Faculdade.

Em 1989, a disciplina Introdução aos Estudos Literários tornou-se obrigatória para todos os alunos de Letras da Faculdade, criando a necessidade de um número maior de docentes da área. Já em 1990, depois de um longo período de discussão, foi finalmente criado o Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada, com o intuito de dar continuidade ao desenvolvimento de pesquisas especializadas e também oferecer um maior número de disciplinas optativas, uma antiga reivindicação dos alunos.