Professores Estrangeiros

Docentes Estrangeiros e o Período Inicial da FFLCH

No processo de implantação da Universidade de São Paulo, um passo inicial importante foi a decisão de contratar, no exterior, um grupo de professores e pesquisadores de alto nível, para implementar estudos de ciência básica e humanidades, na recém fundada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.

A coordenação dessa missão ficou a cargo do professor Theodoro Augusto Ramos, um dos fundadores da Universidade. Portador de relevante experiência em intercâmbios culturais, foi responsável não apenas pela contratação de professores vindos do exterior, como também a de estrangeiros de renome residentes em São Paulo na época.

Assim, com vistas ao padrão de excelência que se pretendia para a Faculdade de Filosofia, foram contratados, para seus diferentes cursos, os professores de origem europeia abaixo relacionados: 

- da França: Robert Garric, Émile Coornaert, Émile Léonard, Pierre Deffontaines, Paul Arbousse-Bastide, Roger Bastide, Etienne Borne, Pierre Hourcade, Michel Berveiller, Jean Maugüe, Jean Gagé, Alfred Bonzon, Pierre Monbeig, Fernand Paul Braudel, Claude Lévi-Strauss, François Pierroux e Pierre Fromont;

- da Itália: Luigi Galvani, Giacomo Albanese, Francesco Piccolo, Luigi Fantappié, Ettore Onorato, Gleb Wataghin, Ottorino de Fiore di Cropani, Giuseppe Ungaretti, Giuseppe Occhialini e Vittorio de Falco;

- da Alemanha: Ernst Bresslau, Ernst Marcus, Heinrich Rheinboldt, Felix Rawitscher e Heinrich Hauptmann, mais tarde Hans Stammreich e Viktor Leinz.

- de Portugal: Francisco Rebelo Gonçalves, Fidelino de Figueiredo e Urbano Canuto Soares.

Quanto aos professores estrangeiros residentes em São Paulo, foram contratados, em caráter temporário: Edgard Otto Gottsch, Paul Vanorden Shaw, George Raeders, Douglas Redshaw e Antonio Piccarolo.

Não se pode ignorar a inestimável contribuição desses renomados professores para a própria consolidação da Universidade de São Paulo. Vindos de lugares muito distantes, superaram as inevitáveis dificuldades de adaptação à América Latina, a começar pela própria língua. Enquanto aprendiam e se exercitavam no português, muitos docentes ministravam cursos em sua língua nativa. Já os alunos, sob influência de suas ideias, aprenderam muito sobre a cultura e pensamento europeus. 

O padrão acadêmico implantado nesse processo é considerado vital e definidor da qualidade e excelência da produção da Universidade. Na Faculdade de Filosofia, fala-se em uma ampla revolução cultural, transmitindo um critério de disciplina e qualidade que atravessa toda a produção acadêmica da instituição. Muitos deixaram discípulos, fizeram escolas, e suas obras se constituíram em material básico para o conhecimento em diversas áreas, tais como sociologia, antropologia, letras, artes e geociências, entre outras. Além disso, atribui-se ao intercâmbio com eles estabelecido uma importância específica visto que o Brasil dos anos 30 vivia um processo de rápidas transformações urbanas e estabelecimento de novos campos para pesquisas sociológicas, análise e reflexão.