FFLCH expõe documentos de povos indígenas da Mesoamérica, pela primeira vez no Brasil

Esses manuscritos eram muito comuns nessa região e estavam presentes em diversos tipos de situações sociais
 

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Por Eliete Viana

A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP apresenta a exposição “Códices mexicanos: imagens, escritura e debate” sobre os famosos livros confeccionados pelos povos indígenas da Mesoamérica nos períodos pré-hispânico e colonial, que serão exibidos publicamente pela primeira vez no Brasil. A abertura será no dia 23 de maio, terça-feira, às 17h30, no saguão dos novos auditórios do prédio de Geografia e História da Faculdade.

O conceito de Mesoamérica se refere a uma grande área da América indígena, cujos povos compartilhavam características histórico-culturais e que habitavam, em tempos pré-hispânicos, a região que vai desde o centro de Honduras e noroeste de Costa Rica até o México, onde seus limites são os Estados de Taumalipas (rio Soto la Marina) e Sinaloa (rio Fuerte), e de uma a outra costa marítima.

Esses manuscritos, que mesclam imagens e escrita, eram muito comuns nessa região e estavam presentes em diversos tipos de situações sociais, podendo ser divididos, segundo sua temática predominante, em cinco tipos principais: Tonalamatl (livro da conta dos dias e destinos), Tequiamatl (livro de tributos); Teoamoxtli (livro dos deuses); Xiuhamatl (livro da conta dos anos); Tlalamatl (livro de terras ou mapas). Existem referências a outros tipos de livros, como o cuicamatl (livro dos cantares) e o temicamatl (livro dos sonhos), ainda que nenhum exemplar desses gêneros tenha sobrevivido até os dias atuais.

Atualmente, os códices mesoamericanos originais se encontram em bibliotecas e arquivos de países europeus, dos Estados Unidos e, principalmente, do próprio México, onde também alguns códices pertencem a comunidades indígenas atuais e se constituem como objetos de conformação de suas identidades comunitárias.

As reproduções dos códices desta exposição gratuita são emprestados dos acervos da titular da Cátedra José Bonifácio da USP, Beatriz Paredes, que foi embaixadora do México no Brasil, de janeiro de 2013 a janeiro de 2017; da coleção de obras raras da Biblioteca Florestan Fernandes e do Centro de Estudos Mesoamericanos e Andinos (CEMA), ambos da FFLCH; com apoio do Consulado-Geral do México em São Paulo.

“Conhecer a produção intelectual dos povos indígenas da Mesoamérica é importante não só para nos aproximar da realidade dos povos desta região, mas também para voltar nosso olhar para os indígenas do Brasil”, explica um dos coordenadores do CEMA e também um dos curadores da exposição, Eduardo Natalino dos Santos, professor da Faculdade.

O CEMA foi fundado em meados de 2000, por doutorandos do Departamento de História da FFLCH e do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP. O objetivo principal tem sido viabilizar e incentivar a realização, no Brasil, das pesquisas acadêmicas sobre os povos indígenas da Mesoamérica e dos Andes Centrais, especialmente dos períodos pré-hispânico e colonial. O Centro possui um acervo de códices mesoamericanos e de outros escritos disponíveis para consulta em sua sede, onde também mantém em funcionamento um seminário permanente e quatro grupos de estudos.

Diálogo latino-americano

“Códices mexicanos é uma exposição e uma discussão para aproximar as sociedades antigas da Mesoamérica e robustecer os vínculos do Brasil com seus irmãos latino-americanos”, destaca Beatriz Paredes. Este pensamento vai ao encontro ao da diretora da FFLCH, Maria Arminda do Nascimento Arruda, que ressalta ser importante a Unidade participar desta cooperação. “Esta casa, centro da vida intelectual da USP, sempre foi e é, cada vez mais, espaço privilegiado para essa aproximação. Muitos são os motivos acadêmicos, culturais, identitários, políticos, para este encontro. Brasil e México têm muito que conversar”.

No dia 23 de maio, após a abertura da exposição “Códices mexicanos: imagens, escritura e debate”, será realizado o debate “Códices Mesoamericanos: composição, temas e seu estudo no Brasil”, às 18h30. A discussão terá a participação dos dois curadores da exposição e coordenadores do CEMA, Eduardo Natalino dos Santos e Pedro Paulo Salles, respectivamente, professores da FFLCH e da ECA. A mediação será do professor do Departamento de Antropologia da FFLCH, Márcio Silva. Na ocasião, alguns pesquisadores irão apresentar os estudos sobre códices mesoamericanos que vem sendo realizados nos últimos anos.  

A mostra é gratuita ficará em cartaz até o dia 30 de julho, de segunda a sábado, das 10h às 21h. Toda terça-feira, às 18h, acontecerão as visitas guiadas. Para grupos ou escolas, o agendamento deve ser feito pelo e-mailcema@usp.br.

O saguão dos novos auditórios do prédio de Geografia e História da Faculdade está localizado na Av. Professor Lineu Prestes, 338 – Cidade Universitária, São Paulo.

Mais informações pelo telefone: (11)3091-4938, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.

Confira aqui a programação completa do evento.