Evento renova e ressignifica a FFLCH

Laura de Mello e Souza agradeceu em nome da família a homenagem, acompanhada das irmãs Ana Luisa Escorel e Marina de Mello e Souza; e entre elas Paulo Martins e Maria Arminda, vice-diretor e diretora da FFLCH

 

05/09/2017
Por Eliete Viana

 

A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP realizou o evento Renovar Ressignificar, na tarde de 1º de setembro, com atividades em três espaços diferentes da Faculdade.

O objetivo foi celebrar o seu patrimônio físico, através da revitalização dos prédios; o seu patrimônio intelectual, em uma homenagem póstuma a Antonio Candido; e a sua memória e reflexão, com a inauguração da reprodução de uma defesa de banca de 1961 e da publicação da aula magna de 2017.

“No conjunto, pretende-se reiterar, restituir e aperfeiçoar o rico e diferenciado legado da Faculdade, tanto no âmbito da Universidade, quanto externamente a ela. Raras instituições universitárias podem celebrar a sua história e orgulhar-se do seu patrimônio material e imaterial. Renovar, ressignificar encerra, em suma, a ideia de valorizar e restaurar a memória e o patrimônio da FFLCH”, destacou a diretora Maria Arminda do Nascimento Arruda.

Prédio de Geografia e História

A primeira atividade do dia aconteceu no Auditório Nicolau Sevcenko, do prédio de Geografia e História, que é um marco da arquitetura da USP. Neste local, foi foram apresentadas as ações relativas à valorização do patrimônio físico e intelectual da Faculdade.

“Agradeço a presença de todos. Pois, nenhum trabalho pode ser feito se não for em conjunto”, disse Maria Arminda.

O vice-diretor Paulo Martins declarou que o evento “é um marco desta direção”, porque a revitalização dos prédios é uma das propostas do programa de ação acadêmica da direção da Unidade.

O chefe do Departamento de História, Osvaldo Luis Angel Coggiola, ressaltou que esse “prédio [de Geografia e História – cujo nome oficial é edifício Prof. Eurípedes Simões de Paula] é um dos cartões-postais da USP” e, por isso, “temos de recuperar a estrutura deste prédio, mas sem esquecer a parte humana”.

O outro professor que utiliza o prédio, Antonio Carlos Colângelo, que também é chefe do Departamento de Geografia, lembrou do grande número de pessoas que circulam pelo local todos os dias para trabalhar ou estudar. Pois, o local também serve de passagem para outros blocos didáticos da FFLCH.

“Em nome do envolvimento que temos com este prédio, agradecemos a iniciativa de restaurá-lo. Vamos oferecer todo o apoio a esta iniciativa”, afirmou.

A arquiteta Neyde Angela Joppert Cabral também destacou que, na Cidade Universitária, o edifício de Geografia e História faz parte da história da Universidade, junto com o da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e a Torre do Relógio. Ela fala com conhecimento de causa, já que integrou a equipe da Superintendência do Espaço Físico da USP por 30 anos.

Depois, Neyde exibiu fotos do início da utilização do prédio, e apresentou as reformas necessárias, como a remoção da grelha – que foi citada como necessária pelos dois chefes de Departamento – e recuperar a pintura original.

O projeto completo já foi apresentado durante reunião do Conselho Técnico de Administração (CTA) da Faculdade.

Para finalizar esta atividade, a diretora Maria Arminda lembrou que ações na estrutura física de outros prédios da Unidade também estão sendo realizadas e planejadas. “Estamos melhorando o prédio da Administração, há proposta de arrumar o teto da Biblioteca Florestan Fernandes, e pintar o prédio de Filosofia e Ciências Sociais”.

Antonio Candido

Em seguida, os presentes se deslocaram para o pátio localizado entre a Biblioteca Florestan Fernandes e o edifício de Letras, no qual foi montado um palco para a homenagem ao professor emérito Antonio Candido de Mello e Souza (1918-2017).

Esse palco foi estrelado pelo ator e diretor Paulo Betti. “É muito emocionante para mim participar desta homenagem”, afirmou.

Betti leu trechos do livro Os Parceiros do Rio Bonito, de Antonio Candido, exibiu imagens da peça teatral Na carrera do divino, de Carlos Alberto Soffredini, inspirada na obra de Candido, que ele dirigiu em 1979; além de apresentar parte de uma entrevista inédita dele com o homenageado.

A cerimônia contou com a presença das três filhas do professor: Ana Luisa Escorel, Laura Mello e Souza e Marina de Mello e Souza. Elas ajudaram a descerrar a placa que dá ao edifício de Letras o nome de Antonio Candido de Mello e Souza.

Na ocasião, Laura foi a porta-voz da família, que agradeceu a homenagem e a oportunidade de falar do seu pai.

“Para nós três, a Faculdade era sinônimo de trabalho, mas também de vida”, disse para mostrar como a instituição era importante na vida de seus pais, pois sua mãe, Gilda Rocha de Mello e Souza (1919-2005) também era docente da Unidade.

Laura contou um pouco da trajetória de seu pai e do ingresso dela e de sua irmã Marina na Faculdade, primeiro como alunas e depois como professoras do Departamento de História da FFLCH.

Sessão de autógrafos

A última parada foi no prédio da Administração da FFLCH, onde no saguão os convidados viram a primeira instalação da série Espaços de Memória.

Utilizando móveis originais, esta instalação reproduz o espaço onde os candidatos defendiam suas teses no lendário prédio da Rua Maria Antonia. Para ilustrar este ambiente histórico, foram ampliadas duas fotos da defesa da tese de doutorado de Octávio Ianni, intitulada O negro na sociedade de castas, orientada por Florestan Fernandes, em 1961.

A primeira imagem apresenta a banca examinadora, formada por: Caio Prado Júnior, Thales de Azevedo; Florestan Fernandes; Loureiro Fernandes; e Sérgio Buarque de Holanda. Enquanto que a outra é composta por Octávio Ianni e a plateia: Fernando Henrique Cardoso, Maria Silvia Carvalho Franco; Célia Quirino; Ruth Cardoso; Luis Pereira; Gabriel Bolaff; e Paul Singer.

E, no salão nobre, aconteceu o lançamento da publicação da aula magna de 2017 da FFLCH: A temática do homem simples no desenvolvimento das Ciências Humanas na Faculdade de Filosofia da USP, proferida em março pelo professor emérito do Departamento de Ciência Política, José de Souza Martins.

“Neste evento, estamos reconstruindo o nosso elo, passando por vários prédios, fazendo uma integração entre a Faculdade”, frisou a professora Zilda Iokoi, que fez a saudação no início da aula magna, em março deste ano.

O ex-diretor da FFLCH, Sérgio Adorno, de 2012-2016, lembrou que esta aula magna deveria ter sido realizada em fevereiro de 2016, mas foi interrompida por manifestantes.

José de Souza Martins disse que ficou chateado pela interrupção no ano passado, porque nem na época da ditadura ele teve uma aula impedida e censurada.  “Muito bom o que vocês estão fazendo para preservar a memória da Faculdade”, ressaltou.

O evento teve grande presença da comunidade FFLCH e de outras Unidades da USP também.

Além dos citados acima, pode-se destacar a participação da ex-diretora da FFLCH, Sandra Margarida Nitrini, de 2008-2012; os chefes dos Departamentos de Linguística, Sociologia e de Teoria Literária e Literatura Comparada, respectivamente, Evani Viotti, Ruy Braga e Marcos Natali; os professores eméritos Anita Novinsky e Fernando Novais; e os chefes do Serviço de Expediente, de Pessoal e de Serviços Gerais, respectivamente, Maria da Luz de Freitas Obata, Néli Máximino e Alexandre Gomes da Silva.

A seguir, confira imagens dos diversos momentos do evento. (Fotos: Cícero Wanderberg / STI-FFLCH)
 

Renovar Ressignificar