Colóquio celebra 190 anos do Romantismo no Brasil

Evento acontece nesta quinta e sexta-feira, dias 27 e 28, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP
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Redação
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Imagens de José de Alencar e de Bernardo Guimarães. Ao fundo, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP, onde será realizado o colóquio – Fotomontagem com imagens de Marcos Santos / USP Imagens, Wikimedia Commons e Wikimedia Commons
Imagens de José de Alencar e de Bernardo Guimarães. Ao fundo, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP, onde será realizado o colóquio – Fotomontagem com imagens de Marcos Santos / USP ImagensWikimedia Commons e Wikimedia Commons

O escritor mineiro Bernardo Guimarães (1825-1884) tem um forte lado satírico e possui o domínio das técnicas do humor e da ironia do seu tempo. Boa parte de sua poesia de juventude satiriza convenções estéticas então vigentes, entre elas o Indianismo, e personagens recorrentes, como a virgem donzela. Esse comentário é da professora Cilaine Alves da Cunha, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, uma das organizadoras do Colóquio Bernardo Guimarães, José de Alencar e os 190 Anos de Outros Românticos, que será realizado nesta quinta e sexta-feira, dias 27 e 28, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP. “Guimarães brinca até mesmo com a própria poesia, dissolvendo ironicamente alguns de seus princípios internos”, acrescenta Cilaine. 

O lado satírico de Bernardo Guimarães – como aponta a professora – é um dos temas que serão abordados no colóquio, que tem a organização ainda do professor Ricardo Souza de Carvalho, também da FFLCH, e da professora Andréa Sirihal Werkema, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). “Neste ano, quando se completam 190 anos do início convencionalmente estabelecido do Romantismo no Brasil, este evento propõe uma reflexão sobre as formas e matérias ficcionais do período, considerando seu papel na produção de sentidos acerca do regime de escravização, das representações dos povos indígenas, da posição social da mulher e da noção problemática de direitos sociais e econômicos das camadas pobres da população brasileira”, destaca o texto de apresentação do colóquio, publicado no site da FFLCH.

O colóquio inclui o lançamento de seis livros, também relacionados com o Romantismo no Brasil. Eles são: Estranhezas do Século Romântico, Fragmentos de Humor – ambos de Cilaine Alves da Cunha –, Poemas Dispersos e Alguns Inéditos de José de Alencar, de Wilton José Marques, Romantismo Paulista em Contos Acadêmicos, de Natália Gonçalves de Souza Santos – todos da Editora da USP (Edusp) –, O Seminarista, de Bernardo Guimarães, edição da Ateliê Editorial, e Miscelânea: Nos Passos de Bernardo Guimarães, organizado por Maria Francelina Silami Ibrahim Drummond e publicado pela Editora Liberdade.

O escritor Bernardo Guimarães, que escreveu A Escrava Isaura e O Seminarista, entre outras obras – Foto: Wikimedia Commons
O escritor Bernardo Guimarães, que escreveu A Escrava Isaura O Seminarista, entre outras obras – Foto: Wikimedia Commons

Nos dois dias do colóquio, serão realizadas seis mesas-redondas, que reunirão especialistas da USP e de outras universidades do Brasil para tratar de temas ligados à literatura romântica brasileira. Na primeira delas, no dia 27, às 10h30, a professora Ana Beatriz Demarchi Barel, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), falará sobre Mediadores Culturais Franceses e Brasileiros e a Formação de Uma Literatura Nacional: Ferdinand Denis e o Grupo de Paris, o professor Marcelo Rangel, da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), em Minas Gerais, fará a palestra Egoísmo e Loucura. O Romantismo Brasileiro e sua Crítica à Colonização e à Escravidão e o professor Ricardo Souza de Carvalho abordará Memórias de Nação: o Embate entre Francisco Adolfo de Varnhagen e Manuel Antônio de Almeida.

A segunda mesa-redonda, às 14 horas do dia 27, terá a participação de dois docentes da USP: a professora Cilaine Alves Cunha, que falará sobre A Autoironia de Bernardo Guimarães: A Escrava Isaura, e o professor Jean Pierre Chauvin, que falará sobre A Poesia Encomiástica de Bernardo Guimarães. Já na terceira palestra do dia 27, às 16 horas, o professor Matheus Ramos Silveira, da USP, abordará Álvares de Azevedo e a Balada Gótica e a professora Natália Gonçalves de Souza Santos, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), discutirá As Classes Subalternizadas no Conto Acadêmico do Romantismo Paulista.

O escritor José de Alencar, autor de O Guarani e Iracema, entre outros romances – Foto: Wikimedia Commons
O escritor José de Alencar, autor de O Guarani e Iracema, entre outros romances – Foto: Wikimedia Commons

Na sexta-feira, dia 28, ocorrerão outras três mesas-redondas. A primeira mesa, às 10h30, terá três palestrantes: as pesquisadoras Maria Francelina Silami Ibrahim Drummond, Luana Batista de Souza e Sabrina Morais da Silva, que falarão, respectivamente, sobre Miscelânea: nos Passos de Bernardo Guimarães, Como Ler “O seminarista” e O Diabo do Cravo Caboclo: a Constituição Racial Brasileira em “Rosaura, a Enjeitada”, de Bernardo Guimarães.

As produções ficcionais de José de Alencar, um dos grandes nomes do romantismo indianista, serão o enfoque da segunda e da terceira mesa do dia 28. Às 14 horas, o professor Marcus Vinícius Nogueira Soares, da UERJ, explicará A Gênese de José Alencar, e o professor Wilton José Marques, da Ufscar, discorrerá sobre José de Alencar, Tradutor de Lamartine e Algumas Implicações sobre o Primeiro Romance. Às 16 horas, a professora Mirhiane Mendes de Abreu, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostrará A Dupla Camada do Romance Indianista de José de Alencar, e a professora Andréa Sirihal Werkema, da UERJ, abordará Iracema Abandonada.

“Bernardo Guimarães, José de Alencar e outros românticos participaram de projetos estéticos e ideológicos diversos, por vezes divergentes, inscritos em um contexto atravessado por tensões sociais, raciais, de gênero e culturais que acompanharam a construção do Estado-nação”, destaca o texto de apresentação do colóquio. “O evento objetiva uma reflexão sobre os projetos e práticas poéticas de nação e identidade no período, especialmente no que se refere às representações do indígena, do negro, da mulher e de outros atores das camadas populares.”

O colóquio Bernardo Guimarães, José de Alencar e os 190 Anos de Outros Românticos será realizado nesta quinta e sexta-feira, dias 27 e 28, das 10h30 às 17h30, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (Rua da Biblioteca, 21, Cidade Universitária, em São Paulo). Entrada grátis. Não é preciso fazer inscrição.

Pôster de divulgação do colóquio – Foto: FFLCH-USP
Pôster de divulgação do colóquio – Foto: FFLCH-USP

Texto de Nina Nassar, estagiária sob supervisão de Roberto C. G. Castro, publicado no Jornal da USP: https://jornal.usp.br/cultura/coloquio-celebra-190-anos-do-romantismo-no-brasil/