Nascimento de Thiago de Mello

O Escritor amazonense Thiago de Mello, nascido em 30 de março de 1926, “estimula novos escritores a se debruçarem sobre a realidade brasileira” diz a professora Marleine Toledo em entrevista
Por
Lara Tannus
Data de Publicação
Editoria
Hoje na História

 

"Uma coisa é estudar a Amazônia em Harvard, fazer PhD como muitos ecologistas que nunca foram à floresta. Eu acho que para conhecer alguma coisa, é preciso amar. E para escrever sobre ela, conhecer. A gente só ama aquilo que a gente conhece, e a gente só sabe aquilo que a gente vive", disse o escritor em entrevista à Livraria da Folha (Arte: Ricardo Freire)
"Uma coisa é estudar a Amazônia em Harvard, fazer PhD como muitos ecologistas que nunca foram à floresta. Eu acho que para conhecer alguma coisa, é preciso amar. E para escrever sobre ela, conhecer. A gente só ama aquilo que a gente conhece, e a gente só sabe aquilo que a gente vive", disse o escritor em entrevista à Livraria da Folha (Arte: Renan Braz)


Conhecido por escrever sobre Amazônia e política, o poeta Amadeu Thiago de Mello retrata a natureza de maneira lírica, fazendo denúncias das agressões ambientais. Escreveu textos em oposição à ditadura militar no Brasil e foi exilado no Chile, onde teve contato intenso com Pablo Neruda. 

Abaixo, Marleine Paula Marcondes e Ferreira de Toledo, docente do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH-USP, conta sobre a produção do poeta e destaca algumas de suas importantes obras:

“O eixo Rio-São Paulo movimenta e agita a Literatura, assim como outras atividades, muito mais que outros centros ou regiões do Brasil. Daí justificar-se que um poeta como Amadeu Thiago de Mello, amazonense de Barreirinha, nascido em 30 de março de 1926, possa não ser tão conhecido ou lido, num primeiro momento, como outros escritores, cujas obras têm, às vezes, até menor peso que a dele. 

A publicação de Silêncio e Palavra, em 1951, anuncia uma carreira literária, em que vida e obra se confundem, uma vez que o escritor de branco (veste-se constantemente de branco) abandonou os estudos de medicina para viver a arte, primeiro com a poesia lírica, à qual se acrescentou, logo depois, o texto de caráter político, consequência de sua tomada de posição frente à ditadura, assim como o amigo Pablo Neruda, no Chile, um dos países em que Thiago esteve exilado, em razão do regime militar.

Sobre a Amazônia, a terra natal, presente em toda sua obra, seja por meio da exaltação lírica de suas belezas e peculiaridades, seja por meio de denúncia das variadas agressões que a ela se têm feito, Thiago, em entrevista à Livraria da Folha, declarou: 'Uma coisa é estudar a Amazônia em Harvard, fazer PhD como muitos ecologistas que nunca foram à floresta. Eu acho que para conhecer alguma coisa, é preciso amar. E para escrever sobre ela, conhecer. A gente só ama aquilo que a gente conhece, e a gente só sabe aquilo que a gente vive'. 

A poesia que Thiago de Mello presente nos poemas de Faz Escuro Mas Eu Canto, obra publicada pela primeira vez em 1965, é o registro de momentos fortes de sua vida, anteriores ao exílio a que foi submetido. 

A obra Os Estatutos do Homem, de 1977, revela o transbordamento da criação thiaguiana, o que explica estarem muitos dos versos expostos em antologias, murais, sites e outros veículos de comunicação. Pode-se dizer que Os Estatutos do Homem é uma síntese de toda a poesia do autor: lá estão presentes os temas e motivos dos livros que compõem sua obra.

Vida e obra de Thiago de Mello, uma coisa só, como afirmado, enriquecem a literatura do Brasil. Com o canto apaixonado pelo homem, pela Amazônia e pelo Brasil, estimula novos escritores a se debruçarem sobre a realidade brasileira e não escritores a se conscientizarem das mazelas do Brasil e buscarem caminhos para a solução dos problemas.”

A professora também listou algumas das principais obras do poeta:

Poesia

Silêncio e palavra,1951; Narciso cego, 1952; A lenda da rosa, 1956; Faz escuro, mas eu canto, 1965; A canção do amor armado, 1966; Poesia comprometida com a minha e a tua vida, 1975; Os estatutos do homem, 1977; Horóscopo para os que estão vivos, 1984; Mormaço na floresta, 1984; Vento geral – Poesia 1951-1981, 1981; Num campo de margaridas, 1986; De uma vez por todas, 1996.

Prosa 

A estrela da manhã, 1968; Arte e ciência de empinar papagaio, 1983; Manaus, amor e memória, 1984; Amazonas, pátria da água, 1991; Amazônia — a menina dos olhos do mundo, 1992; O povo sabe o que diz, 1993; Borges na luz de Borges, 1993.