Nesta data, o prédio da Administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas teve seu acesso bloqueado por piquetes organizados por alunos. Procuravam o Diretor e o Representante da Congregação no Conselho Universitário, o qual deve se reunir hoje para discutir e votar o Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV) e a discussão sobre reajuste salarial. Pretendiam que ambos assinassem um documento se comprometendo a votar contra o PIDV e pelo reajuste salarial, condição para a reabertura do prédio.
 
Venho – como a grande maioria da comunidade acadêmica da FFLCH - assistindo com estupor, indignação e profunda reprovação os métodos cada vez mais violentos e agressivos com que parte dos alunos e funcionários vêm se valendo para impor propósitos que julgam, sem ampla e democrática discussão, legítimos e supostamente representativos da maioria da comunidade. 
 
Ao fazê-lo, têm agredido todos os direitos consagrados em lei – desde a Constituição até os regulamentos e regimentos universitários. Ao fazê-lo, desqualificam a lei e as instituições oficiais como instrumentos, esses sim efetivamente legítimos, de mediação de conflitos e fixação de consensos mínimos a respeito de questões cruciais da vida universitária. Ao fazê-lo, impõem pelo uso arbitrário da força e de sua ameaça, pela humilhação a que submetem docentes, funcionários e alunos, pelos cadeiraços e bloqueios de prédios, o silêncio a maior número. O silêncio diante do medo e da ameaça de ser vítima de agressão ou grave violência institui a impossibilidade de agir e de pensar livremente, a mais odiosa forma de dominação de uma minoria sobre a maioria. O silêncio interrompe a comunicação política entre os atores. A política falece, a violência prospera. Seu sintoma mais radical é a chantagem.
 
Quando chegamos a este estado, não mais estamos diante de práticas próprias da Universidade, onde devem prevalecer a razão e a busca de entendimentos consentidos, mesmo que sujeitos à permanente revisão. Os métodos violentos se assemelham aos métodos empregados por ditaduras, pouco importase de direita ou de esquerda, por organizações mafiosas e pelo crime organizado. Em lugar do ensino de qualidade, da pesquisa de excelência e da difusão de conhecimento e cultura, a FFLCH e a Universidade por extensão estão sendo tomadas de assalto por alguns que aprenderam seus métodos violentos nas soleiras dos regimes autoritários, onde se elogia o pensamento único e onde se recusa aceitar o pluralismo, as divergências e a defesa das liberdades civis e públicas. 
 
Como Diretor e pesquisador na área de Direitos Humanos, não posso sob qualquer hipótese aceitar a permanência desses métodos no interior de nossa comunidade. Contra eles, há o império da lei. Contra eles, há a força da opinião pública organizada que será igualmente mobilizada para denunciar e reprovar esses métodos de barbárie e de destruição da Universidade e, em especial, da FFLCH, sede de lutas pela redemocratização da sociedade brasileira e pelo retorno ao Estado democrático de direito. Felizmente, também, estou convicto de que falo pela maioria de docentes, alunos e funcionários que, a despeito da divergência de concepções de como deva ser a universidade e nossa vida acadêmica, não compartilham desses métodos e apostam no diálogo e na argumentação 
 
São Paulo, 02 de setembro de 2014
 
A DIRETORIA
 
Informada do impedimento de acesso às salas de aulas nos três prédios didáticos da FFLCH, por força de cadeiraços e ameaças de fechamento do prédio de Letras, a Direção desta Faculdade dirige-se aos docentes, estudantes e funcionários para lamentar que tenhamos chegado a situação tão deplorável. Leia mais...

No próximo dia 04 de agosto de 2014, tem início o calendário escolar do segundo semestre deste ano letivo.  Visando ampliar o diálogo entre os corpos discente e docente, a Direção da Faculdade reuniu-se com os Chefes de Departamento e com estudantes dos Diretórios Acadêmicos.  Como resultado dessas reuniões, vimos recomendar que essa primeira semana do calendário seja uma oportunidade ímpar para que professores e alunos se dediquem à reflexão e ao debate sobre a conjuntura atual da Universidade de São Paulo por meio das atividades que melhor respondam a esses objetivos. 
 
A Direção da Faculdade espera que esse diálogo entre professores e alunos se dê em clima de serenidade, marcado pelo respeito às normas democráticas que devem reger o convívio acadêmico.  Esta Diretoria continua apostando no diálogo como meio de resolução de conflitos e permanecerá aberta a ouvir a comunidade da FFLCH para acolher sugestões que caminhem nessa direção. 
 
Informamos que estão agendadas assembleias dos diretórios acadêmicos da FFLCH, nos próximos dias 05 e 06 de agosto. 
 
Informamos também que estamos envidando todos os esforços para que a crise atual da USP seja superada, conforme “Carta Aberta ao Reitor e à Comunidade Uspiana”, assinada por esta Direção e por 11 Chefes de Departamento, também divulgada através de email.
 
São Paulo, 01 de Agosto de 2014.
 
A DIRETORIA
 

Conjunto de informações financeiras para o Conselho Universitário / Proposta Orçamentária para 2014, acesse aqui