
Três trabalhos produzidos no Laboratório de Imagem e Som em Antropologia (LISA) da Faculdade de Filosofia,Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP foram premiados no festival Pierre Verger de 2026. O Prêmio é promovido pela Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e celebra 30 anos em 2026, “como um dos mais importantes festivais competitivos dedicados ao filme, à fotografia e ao desenho antropológicos”.
A produção "Haukanünu Nãu Iyayakapiri – O que dizem as mães", de Aline Regitano e Warakina Mehinako, ganhou o primeiro lugar na categoria Média-Metragem de Filmes Etnográficos. O filme é uma produção do LISA como parte do doutorado de Regitano no Programa de Pós-Graduação de Antropologia Social (PPGAS)da FFLCH, sob orientação da professora Marina Vanzolini Figueiredo. A produção traz a visão das “haukanünu nãu”, mulheres que cuidam de crianças na aldeia de Utawana do povo Mehinako, e suas percepções sobre o novo hábito de hospitalização de partos na comunidade.
O documentário "Até Onde a Vista Alcança", de Alice Villela e Hidalgo Romero, recebeu o primeiro lugar na categoria Longa-Metragem de Filmes Etnográficos. A produção é um desdobramento da pesquisa de pós-doutorado de Villela, no Departamento de Antropologia, sob supervisão da professora Rose Satiko. O trabalho apresenta três gerações de indígenas Kariri-Xocó, que se unem em uma expedição de reconhecimento do território de seu povo.
Ainda na categoria de Longa-Metragem em Filmes Etnográficos, a produção "Drags in da' House", de Paula Bessa Braz, recebeu o segundo lugar na premiação. Bessa é doutoranda no PPGAS e foi orientada pela professora Rose Satiko. Sua obra é uma coprodução do LISA com a Lavanderia Docs, em coautoria com Mihai Andrei Leaha, Caio Rincon, Gab Italiani e Dida Silva.
Para a professora Rose Satiko, do Departamento de Antropologia e coordenadora do LISA,“receber esses prêmios significa reconhecer que nossa produção têm efetivamente atingido uma excelência e uma qualidade que permitem que sejamos reconhecidos em um fórum importantíssimo como esse”. A docente destaca ainda que o LISA tem sido premiado em todas as edições mais recentes do festival e, por isso, consolidou-se como um dos principais produtores de filmes etnográficos do Brasil.
A importância da difusão da pesquisa acadêmica por meio do audiovisual também foi levantada por Satiko, pois, em sua visão, possibilita um maior alcance ao público. “Se escrevemos um artigo, uma tese, nosso alcance de leitura é relativamente restrito. A linguagem audiovisual, que é uma linguagem do plano e da oralidade, é muito mais acessível, inclusive para populações que nem sempre dominam a escrita, e a escrita acadêmica, sobretudo”.
Sobre o Prêmio
O nome do Prêmio é uma homenagem ao fotógrafo, etnólogo e babalaô francês radicado no Brasil Pierre Verger, que marcou a trajetória da antropologia visual brasileira, de acordo com a premiação. Atualmente, em sua 30° edição, “as obras premiadas são reconhecidas pela excelência técnica e conceitual na difusão do conhecimento antropológico”.
Ao longo das últimas três décadas, o Prêmio afirma que consolidou-se como uma “mostra internacional” e recebeu trabalhos e convidados de diversos países, como Colômbia, Chile, Peru, Guatemala, México, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos e França.