FFLCH lança site para ampliar visibilidade da presença negra na Faculdade

Intitulado “Negra FFLCH”, site reúne informações sobre docentes, estudantes e servidores negros e iniciativas de memória, permanência e diversidade
Por
Juliana Morais
Data de Publicação
Editoria
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Imagem: Juliana Morais / Serviço de Comunicação Social da FFLCH

A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP lança nesta semana o Negra FFLCH, site dedicado à visibilidade e ao reconhecimento de docentes, estudantes e servidores técnicos-administrativos negras, negros e negres que atuaram e atuam na Faculdade. 
A plataforma reúne informações sobre iniciativas desenvolvidas pela FFLCH relacionadas à presença negra na universidade, à produção de conhecimento, à memória, à permanência estudantil e à construção de um ambiente acadêmico mais diverso e democrático.
O projeto é coordenado pela professora e vice-diretora da FFLCH, Silvana Nascimento, e conta com a secretaria de Fátima Morashashi. Também integram a equipe os estagiários Eric Rinaldi e Gabriel Ferreira Silvano, a estagiária do PAECO Larissa Kemile e as bolsistas PUB Ana Beatriz Ferreira, Bruna Helena Fagundes, Milena Figueiredo e Letícia Augustinho.

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Imagem: Renan Braz / Serviço de Comunicação Social da FFLCH 

Também participaram nos primeiros anos do projeto, Abílio Tavares, as estagiárias Ana Paula Loberto e Thamires Badu e os bolsistas PUB Manuela Bergamin, Natália Reis, Cauê Harms e Leonardo Henrique Silva. 
Entre os conteúdos disponíveis no site está o projeto Docência Negra na FFLCH, iniciativa da atual gestão da Faculdade que busca mapear e reconstruir a trajetória de professoras e professores negros que atuaram na unidade. O levantamento está em fase inicial e pretende dar visibilidade à presença e à memória da docência negra nas diferentes áreas das Humanidades.
Até o momento, foram localizados pela equipe 32 docentes que se autodeclaram negros, pretos ou pardos, com trajetórias identificadas desde a década de 1950 até os dias atuais. 
O trabalho de mapeamento começou em 2024 e foi ampliado posteriormente pela equipe do projeto. De acordo com os estagiários, essa foi uma das maiores etapas da construção da iniciativa, principalmente porque registros anteriores não continham informações sobre autodeclaração racial dos docentes. 
A equipe recorreu a diferentes fontes e indicações para localizar professores que passaram pela faculdade. O levantamento também contou com a colaboração de integrantes da comunidade universitária.
A partir das informações já reunidas, a equipe também iniciou contato com os departamentos da FFLCH para ampliar o levantamento e identificar docentes de diferentes períodos. O trabalho deverá continuar nos próximos anos. 
O site também apresenta a iniciativa “Presença e Memória Negra na FFLCH: Para Além de Novembro”, que reuniu uma série de eventos realizados entre agosto e dezembro de 2025. A programação buscou ampliar as discussões sobre presença, memória e produção negra na Faculdade para além das atividades concentradas no mês da Consciência Negra. 
Entre as ações previstas ainda para 2026, estão as atividades relacionadas aos 100 anos de Milton Santos e os 90 anos do ingresso de Rosendo Sampaio Garcia na FFLCH, identificado pela equipe como o primeiro docente negro da FFLCH. 
Outro projeto apresentado é a exposição “Retratos da Gente”, que reúne fotografias de 37 trabalhadoras e trabalhadores da FFLCH autodeclarados negros, pretos ou pardos. As imagens foram produzidas por Kelwin Marques, mestrando do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social, e Renan Braz, funcionário do Serviço de Comunicação Social, e destacam profissionais que integram o cotidiano e o funcionamento da Faculdade.
O site também reúne informações sobre permanência e sobre as iniciativas desenvolvidas pela Comissão de Inclusão e Pertencimento (CIP) da FFLCH. Implementada em 2022, com a criação da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) da USP, a comissão atua no acolhimento da diversidade, na garantia de oportunidades e na construção de condições para estudantes, servidores técnico-administrativos e docentes.
Entre as estruturas que integram atualmente a CIP estão o Programa de Acolhimento ao Estudante Cotista (PAECO) e a Câmara de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH). O PAECO desenvolve ações voltadas ao acolhimento e ao pertencimento de estudantes cotistas, enquanto a CDDH recebe denúncias de possíveis violações de direitos, realiza acolhimentos e busca encaminhamentos para os casos, mantendo o sigilo das informações.


Podcast e próximos projetos 
 

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Imagem: Renan Braz / Serviço de Comunicação Social da FFLCH 

Entre os próximos conteúdos do Negra FFLCH está também uma seção dedicada a um podcast, atualmente em construção no site. 
A equipe já concluiu as gravações da segunda temporada, que reúne oito entrevistas e amplia a diversidade de departamentos representados em relação à primeira temporada. As entrevistas estão em processo de edição e publicação. 
A primeira temporada, conta com cinco entrevistas, com predominância de docentes do Departamento de Letras. Segundo os estagiários do projeto, a segunda temporada buscou ampliar essa representação e incluir professores de outras áreas da Faculdade.
Para a terceira temporada, a equipe pretende ampliar o projeto para além dos docentes e incluir outros profissionais que atuam na universidade, abordando diferentes trajetórias e formas de participação na instituição. 
O Negra FFLCH também disponibiliza informações sobre coletivos e grupos estudantis da Faculdade. A seção reúne referências a grupos organizados por estudantes para discutir temas de interesse comum, reivindicar direitos e promover ações de diversidade e acolhimento, incluindo coletivos feministas, negros, LGBTQIAPN+ e de outros segmentos.
Acesse o site Negra FFLCH: negra.fflch.usp.br