Casa de Cultura Japonesa completa 50 anos de união histórica entre Brasil e Japão

Evento também celebrou a descoberta de novos doadores que ajudaram na construção da instituição
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Ana Julia Oliveira

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Na última terça-feira, 3 de novembro, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP celebrou os 50 anos da Casa de Cultura Japonesa (CCJ). O evento foi promovido pelo Centro de Estudos Japoneses (CEJAP) do Departamento de Letras Orientais (DLO), e aconteceu na própria instituição homenageada.

O prédio da CCJ foi inaugurado em 1976 pela Aliança Cultural Brasil-Japão, resultado de uma parceria entre o governo japonês, a Federação das Organizações Econômicas do Japão, a Organização Comemorativa da Expo 1970 de Osaka, a Nippon Usiminas, além de outras entidades e pessoas japonesas e brasileiras. Foi somente em 2004, porém, que a Casa passou a ser administrada pela FFLCH, após o fim de um contrato de cessão de espaço de 30 anos entre a Aliança e a USP. 

A iniciativa fez parte de um projeto em 1971 do então reitor da USP, Miguel Reale, de construir casas de cultura dos países com os quais o Brasil mantinha boas relações na Cidade Universitária. No período, houve interesse de países como Portugal, Itália e Alemanha, mas somente a unidade japonesa chegou a sair do papel.

Hoje, a Casa de Cultura Japonesa é um espaço voltado para o ensino, a pesquisa e a difusão da língua, literatura e cultura japonesa. Nela, encontram-se a sede do CEJAP junto de sua biblioteca, a sala da Cerimônia do Chá, o Centro Interdepartamental de Línguas (CIL), o Núcleo de Estudos Diversitas, o Centro de Documentação em Historiografia Linguística (CEDOCH), entre outros centros e laboratórios.

Segundo Eliza Atsuko, professora do Departamento de Letras Orientais, a comemoração da terça-feira se deu não só pelo cinquentenário da instituição, mas também pela descoberta das segundas vias de recibos de doadores para a campanha nacional pela construção da CCJ. Segundo Atsuko, que fez parte da organização da sessão comemorativa, foram cerca de 500 doadores, entre empresas, instituições e pessoas, quase totalmente japonesas e nipo-brasileiras. “Essas pessoas acreditaram na defesa que a Comissão Pró-Construção da CCJ fazia de que a compreensão mútua por meio da cultura seria essencial para a citada amizade e prosperidade mútua do Brasil e do Japão”, afirma. 

“Os japoneses imigrantes e seus descendentes que se envolveram de algum modo com a construção desejam deixar para as gerações futuras uma Casa que estivesse à altura de outras Casas de Cultura que seriam construídas no campus da USP”
Eliza Atsuko

A professora enfatiza a importância da presença de representantes da Aliança Cultural Brasil-Japão na comemoração. Ela explica que a instituição foi responsável pela busca de recursos financeiros para a construção da Casa, em 1975 e 1976, e pela manutenção da edificação durante 30 anos enquanto durou o contrato de comodato de terreno entre a USP  e a Aliança.

Estiveram presentes na cerimônia Sussumu Niyama, membro do Conselho Superior da Aliança Cultural Brasil-Japão, Wataru Kikuchi, diretor do CEJAP, Juliana de Moraes Leme Basso, diretora adjunta de Relações Acadêmicas Nacionais, Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (USP), Adrian Pablo Fanjul, diretor da FFLCH, Jiro Takamoto, cônsul geral adjunto do Consulado Geral do Japão em São Paulo, Mario Ramos Francisco Junior, vice-chefe do DLO, Tae Suzuki, ex-diretora do CEJAP, Masato Ninomiya, professor sênior da Faculdade de Direito da USP e Cláudio Issamu Takeda, diretor-presidente da Aliança Cultural Brasil-Japão.