Ao longo de uma semana, a Biblioteca Florestan Fernandes, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, promoveu uma série de atividades voltadas à comunidade acadêmica. A programação reuniu oficinas práticas, encontros sobre produção editorial independente, ações de conservação de acervos e o III Encontro de Integração da Pós-Graduação, com palestras e apresentações sobre escrita acadêmica, publicação científica e recursos institucionais de apoio à pesquisa.
As atividades tiveram como objetivo ampliar as possibilidades de formação e participação da comunidade universitária, além de apresentar diferentes iniciativas que integram o trabalho desenvolvido pela Biblioteca.
Literatura e produção editorial independente
No dia 23 de outubro, a Biblioteca recebeu a Ediciones Arroyo, editora independente de Santa Fé, na Argentina, para um encontro-oficina dedicado à produção de livros cartoneros. A atividade explorou o livro artesanal como objeto de criação, memória e circulação de histórias, combinando literatura, desenho, tecido, costura e montagem manual.
Durante o encontro, a escritora, poeta e editora argentina Alejandra Bosch apresentou o trabalho desenvolvido pela Ediciones Arroyo, que utiliza materiais reaproveitados, como caixas de leite e tecidos na confecção de livros. A produção editorial da iniciativa aborda temas como memória, família, lembranças e experiências cotidianas, explorados por meio de poemas e contos.
Alejandra também realizou a leitura de poemas de sua autoria e convidou os participantes a produzirem seus próprios textos, a partir de reflexões sobre memórias familiares e encontros. A atividade contou com a organização de Ariadne Catarine dos Santos, pesquisadora que desenvolveu doutorado em cotutela entre a FFLCH e a Sapienza Università di Roma, no âmbito do programa de pós-graduação em Teoria Literária e Literatura Comparada. Sua pesquisa, intitulada Cartonear: ações, produção e tramas comunitárias, investiga práticas de produção cartonera e suas relações com experiências coletivas.
Fundada em 2016 por Alejandra Bosch, a Ediciones Arroyo integra o movimento das editoras cartoneras, que ganhou projeção na América Latina a partir de 2003, com a criação da Eloísa Cartonera, em Buenos Aires. Essas iniciativas combinam produção literária, experimentação artística e reaproveitamento de materiais, propondo formas independentes de publicação e circulação de livros.
Conservação de acervos e criação artesanal
A programação também contemplou atividades voltadas à preservação de materiais e a experimentação artística. No dia 26 de outubro, foi realizada a oficina Cuidando do acervo: Conservação preventiva e técnicas de acondicionamento, ministrada pela professora Maria Luiza Emi Nagai, do Departamento de História da FFLCH.
A atividade apresentou técnicas para identificar riscos de deterioração em livros e documentos e orientações para a conservação preventiva, com ênfase na confecção de embalagens adequadas para o acondicionamento dos materiais. Os participantes tiveram contato com procedimentos práticos de proteção dos acervos, considerando os cuidados necessários durante o manuseio, o armazenamento e a guarda dos documentos.
No dia seguinte, 27 de outubro, a Biblioteca promoveu a oficina de carimbos manuais, conduzida pela estudante Júlia Fernandes de Magalhães. A atividade introduziu os participantes à criação de matrizes e à impressão artesanal, utilizando materiais acessíveis e técnicas adaptadas à gravura.
Durante o encontro, foram explorados recursos como entalhe, composição visual, repetição e texturas. Os participantes confeccionaram seus próprios carimbos a partir de borrachas, experimentando diferentes possibilidades de desenho e impressão e desenvolvendo autonomia para continuar a prática após a oficina.
III Encontro de Integração da Pós-Graduação
Nos dias 29 de outubro e 4 de novembro, a Biblioteca realizou o III Encontro de Integração da Pós-Graduação da FFLCH, em parceria com a Comissão de Pós-Graduação e com o apoio da Direção da Faculdade. Transmitida pelo canal da FFLCH no YouTube, a programação reuniu representantes da Universidade e especialistas para apresentar recursos, serviços e iniciativas de apoio à formação acadêmica e ao desenvolvimento de pesquisas.
O primeiro dia contou com a participação de Teresa Kraus, diretora de publicações da Springer Nature, que ministrou a palestra Scientific Writing: Manuscripts Preparation for Humanities and Social Sciences. A apresentação abordou estratégias para a preparação e publicação de artigos científicos, incluindo a organização de manuscritos, a escolha de periódicos, a elaboração de títulos e resumos, a avaliação por pares e as possibilidades de publicação em acesso aberto.
A palestrante também discutiu o uso responsável da inteligência artificial na produção científica, ressaltando a importância de verificar informações e referências bibliográficas e de manter a responsabilidade autoral sobre o conteúdo dos trabalhos.
Na sequência, a professora Eliane e a doutoranda Andressa Vilagra apresentaram as atividades do Laboratório de Letramento Acadêmico (LAC) da USP. A iniciativa oferece apoio a estudantes de graduação e pós-graduação de diferentes áreas, com foco no desenvolvimento da escrita acadêmica e na produção de gêneros textuais universitários. Entre as ações estão tutorias individuais, oficinas, palestras, cursos de extensão e parcerias com disciplinas. Os atendimentos são gratuitos e permitem que os estudantes discutam dificuldades e recebam orientações sobre seus textos.
O primeiro dia foi encerrado com a palestra Inteligência artificial na pesquisa acadêmica: usos, limites e a fronteira da responsabilidade intelectual, ministrada por Maria Imaculada da Conceição, bibliotecária da Florestan Fernandes. A apresentação abordou as possibilidades e os limites dessas ferramentas no trabalho acadêmico, destacando a necessidade de avaliação crítica, verificação das informações e transparência quanto ao uso da inteligência artificial. A discussão ressaltou que a tecnologia pode auxiliar em diferentes etapas da pesquisa, mas não substitui a capacidade analítica e a responsabilidade intelectual dos pesquisadores.
No segundo dia, a programação apresentou serviços e setores da Faculdade que apoiam a trajetória dos estudantes. Thiago Gomes Veríssimo, responsável pela área de Tecnologia da Informação da FFLCH, explicou o funcionamento de sistemas institucionais, como a senha única USP, o e-mail institucional, a rede Eduroam, a VPN e as plataformas Janus e Moodle, além de apresentar orientações sobre segurança digital.
Na sequência, Nelson Alves Caetano apresentou o Escritório de Apoio ao Pesquisador, que oferece orientações sobre financiamento de pesquisas, prestação de contas de projetos e editais de agências de fomento, como a FAPESP. Também foram abordadas as atribuições da Divisão Acadêmica e sua relação com os departamentos e programas de pós-graduação.
A diretora da Biblioteca, Adriana Ferrari, apresentou iniciativas relacionadas à ciência aberta e à divulgação da produção científica, com destaque para o Portal de Livros Abertos e o Portal de Revistas da USP. A apresentação ressaltou a importância do acesso aberto para ampliar a circulação do conhecimento produzido na Universidade.
Os bibliotecários Charles Pereira Campos e Elizabeth Barbosa dos Santos também apresentaram os serviços e recursos informacionais da unidade, entre eles a comutação bibliográfica, o empréstimo entre bibliotecas, a elaboração de fichas catalográficas e o guia de trabalhos acadêmicos. Os participantes conheceram ferramentas de pesquisa, além de tutoriais e workshops sobre ferramentas como Zotero, ORCID e Currículo Lattes.
Ao final, Adriana destacou a biblioteca como espaço de acolhimento, inclusão e acesso ao conhecimento. Além do acervo físico e dos recursos digitais, a unidade oferece atendimento presencial e remoto, serviços de tecnologia assistiva e programação cultural, com exposições e lançamentos de livros.