Presidente de Cabo Verde e escritores prestigiam evento literário na FFLCH

Poetas cabo-verdianos e pesquisadores brasileiros discutiram a produção literária do país africano e sua importância no contexto da literatura mundial
Por
Paulo Andrade
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No último dia 21 de novembro, a FFLCH recebeu a visita de escritores e do presidente da República de Cabo Verde no evento Dia de Cabo Verde na Universidade de São Paulo II: Homenagem a Corsino Fortes e Mário Fonseca, promovido pelo Centro de Estudos das Literaturas e Culturas de Língua Portuguesa (CELP).

O encontro foi dedicado à memória dos poetas cabo-verdianos Corsino Fortes e Mário Fonseca, tendo na delegação o presidente e escritor Jorge Carlos Fonseca e os escritores Armênio Vieira, Filinto Elísio e Joaquim Arena.

Na abertura, a professora Simone Caputo Gomes, do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH e coordenadora geral do evento, realizou a leitura de dois poemas dos artistas. A docente lembrou a visita de ambos à USP, em 2008, durante o 1º Seminário Internacional de Estudos Cabo-verdianos, que contou com a presença de 24 estudiosos e poetas de Cabo Verde, além de pesquisadores brasileiros.

Os escritores: Filinto Elísio, Joaquim Arena, Armênio Vieira, Jorge Carlos Fonseca (imagem: divulgação CELP)
Os escritores: Filinto Elísio, Joaquim Arena, Armênio Vieira, Jorge Carlos Fonseca (imagem: divulgação CELP)

 

Brasil x Cabo Verde

O presidente Jorge Carlos Fonseca falou da importância do encontro para uma troca cultural entre Brasil e Cabo Verde. Ele lembrou que, antes da presidência, sua formação foi dentro da universidade, inclusive com passagens como pesquisador em Ouro Preto, Minas Gerais.

Fonseca apontou que, na década de 1930, houve uma influência muito forte da literatura brasileira em Cabo Verde, com Manuel Bandeira, José Lins do Rego, Jorge Amado, Armando Fortes, Guimarães Rosa, entre outros. De acordo com o presidente, os autores brasileiros influenciaram correntes literárias que estão enraizadas em Cabo Verde até hoje, especialmente na prosa de ficção e romances.

Por fim, Fonseca falou da importância do evento para a troca de relacionamento humano entre Cabo Verde e Brasil, e do desejo de uma aproximação ainda maior, não apenas na literatura, mas em outros níveis de conhecimento, na economia, artes etc.

A professora Maria Arminda do Nascimento Arruda, diretora da FFLCH, esteve presente no encontro, e ressaltou a importância da FFLCH ao promover eventos que incentivam a literatura e a poesia. “Muitas das melhores obras em literatura de língua portuguesa atualmente têm vindo da África, dos países africanos de língua portuguesa. Esse evento revela o quanto a FFLCH está olhando para esta produção literária e o quanto está atualizada com a criação literária e o debate a respeito da literatura”, disse.

A professora destacou que o encontro diz muito sobre nós mesmos, do que valorizamos, do quanto respeitamos da tradição literária. “O Brasil é um país que não existiria sem a África. Tampouco Portugal moderno existiria sem a África e a América. É isso que nos enlaça e que nós temos que reforçar cada vez mais”, lembrou.

Escritores cabo-verdianos

O evento também contou com a presença de escritores cabo-verdianos premiados, como o próprio presidente Jorge Carlos Fonseca. Nascido em Mindelo, é um jurista, com formação em Portugal e Alemanha. Tem dois livros de poemas publicados e é cronista em diversos veículos de imprensa, ensaísta literário e jurídico. Na área de Direito, possui vasta obra científica em Direito Penal, Processual Penal e Constitucional. É membro da Academia Cabo-Verdiana de Letras. Em 2011 foi eleito presidente da República de Cabo Verde, sendo reeleito em 2016. Também participaram os escritores:

Armênio Vieira. Jornalista e escritor, nascido na cidade de Praia, em Cabo Verde (1941). Foi preso político no período pré-independência (1975), participou de grupos políticos com intelectuais nacionalistas durante as lutas democráticas. É considerado um dos arautos da moderna escrita cabo-verdiana, com diversos livros publicados como poeta e ficcionista. Foi o primeiro cabo-verdiano a vencer o prêmio Camões, em 2009. É também um dos fundadores da Academia Cabo-Verdiana de Letras, em 2013.

Filinto Elísio. Nasceu na cidade de Praia, em Cabo Verde, fez seus estudos de formação superior no Brasil e Estados Unidos, foi bibliotecário, professor e ocupou diversos cargos públicos em Cabo Verde. Tem diversos livros de prosa e poesia publicados, sendo também um dos fundadores da Academia Cabo-Verdiana de Letras, em 2013.

Joaquim Arena. Nasceu na Ilha de São Vicente, em 1964, e viveu por muitos anos em Portugal e em diversos países da Europa. É escritor, advogado, músico e jornalista, dirigiu revistas de literatura e desenvolveu projetos na área músical. Regressou a Cabo Verde para atuar como jornalista, tendo publicado diversos romances e obras em prosa.

Também estiveram presentes as autoridades de Cabo Verde: Domingos Dias Pereira Mascarenhas, embaixador da República de Cabo Verde no Brasil, Emanuel Rocha, cônsul geral honorário de Cabo Verde em São Paulo e Pedro Santos, cônsul geral honorário de Cabo Verde no Rio de Janeiro.

A literatura de Cabo Verde

Os debates abordaram as tendências da literatura cabo-verdiana nas últimas décadas. Foram discutidos, entre outros temas, a superação do caráter local da literatura de Cabo Verde, podendo ser classificada como um tipo de literatura mundo, que trata de temas comuns a qualquer povo e temporalidade.

A transmissão completa do evento pode ser conferida no canal da FFLCH no Youtube: