Zsuzsanna Spiry sobre traduzir o húngaro Krasznahorkai, o Nobel de Literatura 2025
László Krasznahorkai é um autor enigmático até mesmo para seus pares húngaros. Vamos examinar pequenos trechos de três vídeos, em que o próprio autor fala sobre sua obra, sua metodologia de trabalho e também um vídeo curto do renomado Béla Tarr, o diretor de cinema que foi seu parceiro próximo. Serão discutidos dois aspectos da obra de Krasznahorkai à luz do último lançamento da Cia das Letras, O Retorno do Barão de Wenckheim: (1) a própria narrativa (construção dos personagens, etc.) e (2) a escultura quase sensorial que ele vai criando com sua estrutura textual e seu estilo, muito peculiares. Estratégias tradutórias adotadas para o "abrasileiramento" do texto húngaro.
Zsuzsanna Spiry - Mestre e Doutora em Estudos da Tradução, Economista, Tradutora de inglês e húngaro.
Nasceu na Hungria em 1949, de onde fugiu com a família durante a revolução de 1956. Depois de se aposentar como economista, especialista em mercado de capitais, em 2003, aos 54 anos, entrou na USP no curso lato-sensu do CITRAT, engatou com o mestrado strictu-sensu em Estudos da Tradução e doutorado idem. Defendeu ambos títulos com pesquisas sobre a vida e obra de Paulo Rónai, que, tendo nascido, se formado e atuado profissionalmente na Hungria antes de vir para o Brasil, deu ensejo a um contato mais acadêmico com sua língua materna. Com isso, naturalmente começou a produzir traduções literárias do húngaro para português em 2017, sendo que em 2025 saíram duas traduções suas pela Cia das Letras: o Crematório Frio - um Relato de Auschwitz de József Debreczeni em janeiro e em dezembro O Retorno do Barão de Wenckheim, de László Krasznahorkai, um dos mais modernos e enigmáticos autores húngaros da atualidade, laureado com o Nobel de Literatura de 2025.