FFLCH realiza seminário sobre extensão na Universidade

O evento discutiu a situação atual das atividades extensionistas na USP e projetos para o futuro
Por
Ana Julia Oliveira
Data de Publicação
Editoria
Imagem: Renan Braz / Serviço de Comunicação Social da FFLCH
À esquerda, Ádrian Fanjul, diretor da FFLCH, e à direita, Wagner Costa Ribeiro, presidente da CCEx
Imagem: Renan Braz /  Serviço de Comunicação da FFLCH

No dia 12 de junho, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP realizou o “1º Seminário AEX na FFLCH: balanços e perspectivas”. O evento é uma iniciativa promovida pela Comissão de Cultura e Extensão (CCEx), e foi composto por quatro mesas, em que foram discutidos os desafios, curricularização, projetos e experiências da implementação da extensão na Universidade.

Na primeira mesa, estiveram presentes os professores Adrián Fanjul, diretor da FFLCH; Jorge Amâncio de Oliveira, pró-reitor de Cultura e Extensão da USP; e Wagner Costa Ribeiro, presidente da Comissão de Cultura e Extensão da FFLCH. O diretor deu início ao seminário agradecendo aos presentes, e reiterando o destaque da Faculdade na área de cultura e extensão, com convênios com a Secretaria de Educação do Estado e uma parceria com a Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec).

Wagner destacou a importância da extensão universitária como principal interlocução com a sociedade, em um momento em que as universidades públicas estão sob ataque. Segundo ele, a extensão “é uma prática social de engajamento político institucional”, que gera diversos benefícios para a comunidade, como eventos, seminários, pesquisas e um trabalho interdisciplinar, em que diversas áreas de estudo conseguem contribuir entre si. O professor também chamou atenção para a necessidade de ampliar a carga de extensão universitária.

Amâncio finalizou a mesa de abertura trazendo uma perspectiva da extensão como um incentivo à progressão de carreira, que impactaria todo o sistema de ensino superior. O professor deu destaque à necessidade de editais que forneçam fomentos maiores para a extensão; melhoria da informação a respeito dos programas para alunos e professores; mudança do Lattes para valorizar o currículo na dimensão extensionária; e pensar projetos de extensão a longo prazo.

A segunda mesa foi conduzida pelos professores Laís Silveira Fraga, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Pedro Fiori Arantes, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Lais compartilhou sua decepção com a falta de projetos extensionistas na graduação em Engenharia de Alimentos. Ela comentou sobre o senso comum de que a universidade está isolada do restante da sociedade, e do que pode ser feito para que esse entendimento seja mudado.

Imagem: Renan Braz / Serviço de Comunicação da FFLCH
Da esquerda para a direita, os professores Pedro Fiori Arantes, Íris Kantor e Laís Silveira Fraga
Imagem: Renan Braz /  Serviço de Comunicação da FFLCH

Segundo Laís, a extensão deve surgir de um “desejo de vínculo com a sociedade”, para além do ensino em sala de aula, e que é preciso mudar a noção da extensão como uma “ação social”, ou seja, de um serviço prestado à comunidade, para uma oportunidade de troca de conhecimentos entre a universidade e outros setores da sociedade. Como exemplo, ela cita os cursinhos populares, que desde os anos 2000, foram crescendo no ambiente universitário, com o intuito de facilitar a entrada de jovens periféricos na universidade. 

Pedro também trouxe um histórico da extensão no Brasil, desde os anos 1960, quando ainda era vista como uma prestação de serviço, até hoje, como uma busca por conhecimento. Ele destacou a atividade do Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Instituições Públicas de Educação Superior Brasileiras (FORPROEX) e da Conferência Nacional da Educação (CONAE) no papel da construção da extensão como dimensão formativa da universidade. 

O professor destacou a importância de tornar clara a definição e atuação da atividade extensionista, que se difere, por exemplo, de um estágio e das horas complementares, ambos necessários para a conclusão da graduação. Pedro afirmou que as matérias de extensão precisam ter teoria e pesquisa, além de uma carga horária dedicada ao trabalho de campo, quando o vínculo com a sociedade é construído. O vínculo, segundo ele, precisa ser de longo prazo, em oposição à duração das disciplinas, que são semestrais. É preciso, nesse sentido, criar uma relação de confiança e credibilidade com os projetos, que também esperam alguma contribuição resultante da troca com a universidade. 

Assegurar a execução real da atividade extensionista também deve ser uma preocupação, segundo Pedro, tanto na sala de aula quanto em campo. Daí vem a sugestão para os professores, de registrar o encaminhamento da disciplina, os desafios e os resultados. Por último, o professor reiterou a necessidade de criar condições institucionais para a realização dos projetos, com infraestrutura, bolsas, equipe, apoio técnico e monitores da disciplina. Para Pedro, a extensão “ganha sentido quando deixa de ser uma contagem de horas”. 

A terceira mesa reuniu as professoras Heloisa Brito Albuquerque, do Departamento de Letras Modernas, e Íris Kantor, do Departamento de História. Vice-presidente da Comissão de Graduação da FFLCH, Heloisa discorreu sobre a dificuldade encontrada pelos professores de entender como o Guia da curricularização da extensão universitária dos cursos de graduação da USP, de 2024, se materializa na prática. “Quais premissas orientam a curricularização” e “o que é considerado AEX” foram algumas das questões trazidas pelos docentes da Faculdade.
 

Imagem: Renan Braz /  Serviço de Comunicação da FFLCH
À esquerda, a professora Heloisa Brito Albiquerque, e à direita, a professora Íris Kantor 
Imagem: Renan Braz /  Serviço de Comunicação da FFLCH

Segundo a professora, cursos que já são oferecidos na CCEx, mesmo que voltados para o público externo, não são considerados AEX, já que não são protagonizados pelos discentes. Outras atividades, como monitorias PPEG, Iniciação Científica, participação e organização também não contam como atividade de extensão. Heloisa também falou sobre as duas possíveis modalidades de AEX: projetos, organizado no sistema Apolo, e disciplinas, pelo sistema Júpiter. 

Na última mesa do dia, estiveram presentes os professores Ivan Vilela e Fabio Ferreira, com o projeto Sabiá Laranjeira, da Escola de Comunicações e Artes (ECA); Mário Tommaso, do Cineclube Literário (FFLCH); Paulo Cesar Ribeiro Filho e Francisco Tiago Camêlo da Silva, da Mediação de Literatura Infantil no HU (FFLCH-ECA); Waldirene Carmo, da Semana de Geografia (LEMADI-FFLCH); Adriana Salay Leme, com Memórias da covid-19 no Brasil: um acervo digital de memórias e resistências (FFLCH); e José Clóvis Medeiros, da Ouvidoria da FFLCH. 
 

Imagem: Juliana Morais / Serviço de Comunicação da FFLCH
Da esquerda para direita, Paulo Cesar Ribeiro Filho, Tatiane Felix Teixeira, Fabio Ferreira, Francisco Tiago Camêlo da Silva, Wagner Costa Ribeiro e Waldirene Carmo
Imagem: Juliana Morais / Serviço de Comunicação da FFLCH

Os professores tiveram a oportunidade de apresentar seus projetos de extensão e explicar como as disciplinas equilibram a carga dentro de sala de aula e fora dela. Também destacaram a necessidade de desenvolver estruturas fixas para a continuação dos programas, e de um fomento justo aos envolvidos, desde professores, até monitores e equipe de apoio. 

José Clóvis encerrou a mesa agradecendo a colaboração dos professores e a realização do evento pela CCEx. Responsável pela ouvidoria da Faculdade, ele afirmou que vários alunos da graduação compartilharam uma dificuldade em comum com a matrícula nas disciplinas AEX, e o receio de não conseguir se formar no período ideal. 

Essa foi a primeira reunião da FFLCH para discutir questões relacionadas à extensão na Faculdade. O seminário foi concluído com perspectivas positivas, e planos para novas discussões e projetos na entre a USP e a sociedade.