A distribuição de recursos federais e de emendas parlamentares no Brasil favorece desproporcionalmente os municípios de pequeno porte, em detrimento de metrópoles e centros regionais, onde se concentram os maiores desafios urbanos. A constatação é de um estudo coordenado pela professora Ursula Peres, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, em parceria com o professor Eduardo Marques, do Departamento de Ciência Política da USP, e a doutoranda Gabriela Armani, da Universidade de Harvard.
O levantamento, realizado pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM-Cepid/Fapesp), analisou dados de mais de 5 mil municípios brasileiros entre 2005 e 2022, cruzando informações orçamentárias, financeiras, demográficas e políticas. “Queríamos entender a grande heterogeneidade desses municípios, porque no Brasil há cidades como São Paulo, com milhões de habitantes, e localidades muito pequenas, de menos de 5 mil moradores”, explica Ursula.