Longa documental explora as relações entre religião, mídias digitais e política na zona sul de São Paulo

Filme exibe a campanha eleitoral de uma liderança comunitária na região do M’Boi Mirim e marca a estreia como diretora de Telma Hoyler, pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole (CEM)
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Redação
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A região do M’Boi Mirim, zona sul da capital paulista, abrange os distritos de Jardim Ângela e Jardim São Luís – Foto: Divulgação
 A região do M’Boi Mirim, zona sul da capital paulista, abrange os distritos de Jardim Ângela e Jardim São Luís – Foto: Divulgação

Ambientado no M’Boi Mirim, zona sul de São Paulo, Território acompanha a construção da primeira campanha eleitoral de Geraldo, liderança comunitária da região, à Câmara Municipal de São Paulo. Com pré-estreia nesta quinta-feira, 7, o longa marca a estreia de Telma Hoyler, mestra e doutora em Ciência Política pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFCLH) da USP, como diretora. Os ingressos para a exibição, que acontece no Cine Bijou, no centro de São Paulo, esgotaram dias antes do evento. Após a sessão, o público poderá acompanhar o debate com a diretora e com Bianca Tavolari, docente da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Com cerca de 90 minutos, o longa que integrou a seleção oficial da 15° edição do Festival Internacional de Cinema de Buenos Aires (BUEIFF, na sigla em inglês) explora as dificuldades de Geraldo, também ativista do Partido dos Trabalhadores (PT), para se adaptar aos meios digitais de comunicação. Ao introduzir novos personagens, o documentário mostra como a religião e as mídias digitais influenciam a visão das pessoas sobre a democracia e como são construídas as relações e laços políticos cotidianamente.

Gravado entre março e dezembro de 2024, Território é um desdobramento da tese de doutoramento de Hoyler. Sob orientação de Eduardo Marques, docente da FFLCH, na tese a pesquisadora analisou a mobilização política de base territorial em São Paulo. Intitulada Representação política e conexão territorial: uma etnografia de vereadores e brokers em São Paulo, entre 2017 e 2020, a pesquisa defendida em 2022 também investiga como vereadores constroem relações e mobilizações em alguns territórios da capital paulista. A região do M’Boi Mirim, onde Hoyler conheceu Geraldo, foi uma delas.

Telma Luciana Hoyler – Foto: Lattes
Telma Luciana Hoyler – Foto: Lattes

Segundo a diretora, a ideia de produzir um filme documental a acompanhou desde o começo da sua pesquisa. “Acompanhando o trabalho de mobilização política feito por assessores de vereadores no território, né? Eu tinha um argumento teórico sobre representação política e como ela é construída. Foi a partir daí que me interessei por fazer um filme a respeito, talvez pela imagem e pelo poder do cinema em criar sensações. Eu vi que muitas coisas eu não dava conta por escrito”, afirma Hoyler.

“Nesse comecinho eu não achava que ia ser acompanhar uma campanha, porque eu não sabia que alguém ia se candidatar. Mas eu também acho que um filme acontece quando tem que acontecer”, ressalta a diretora.

Finalizadas as gravações, Hoyler e sua equipe levaram mais ou menos dois meses para montar as versões iniciais do que viria a se tornar a versão final de Território. Segundo ela, durante esse processo o assunto principal do filme ainda não estava definido. “Esse filme, que ia ser sobre a campanha do Geraldo, acabou virando sobre outras coisas. Uma vez que eu abri a câmera naquele território, outras coisas e personagens começaram a aparecer durante as gravações. Pessoas que eu não conhecia, mesmo depois de cinco anos de pesquisa para a tese”, conta Hoyler.

A introdução desses novos personagens preenchem o eixo narrativo do documentário. Desde a conversa sobre política na barbearia, da mobilização de porta em porta, até as diversas igrejas evangélicas espalhadas pela região do M’Boi Mirim. Para Hoyler, o filme, além de apresentar um cenário sobre como a política, a religião e outros fatores se relacionam, é também uma forma de divulgação científica e abertura de espaço para um diálogo com o público geral.

Segundo ela, “para mim o filme é uma abertura de conversa com vários públicos e que não deixa de ser uma forma de divulgação. Tem algo sobre essa comunicação da universidade com a sociedade que sempre foi um pouco ruim. Eu acho que a gente precisa discutir sobre o financiamento à comunicação científica de uma maneira mais séria e dedicada”.

Para mais informações sobre futuras exibições de Território, acesse o site do filme ou acompanhe nas redes sociais.

Texto de Maykon Almeida, estagiário sob supervisão de Silvana Salles: https://jornal.usp.br/diversidade/longa-documental-explora-as-relacoes-entre-religiao-midias-digitais-e-politica-na-zona-sul-de-sao-paulo/