CEstA Dupla com Chloe Nahum-Claudel e Fabiana Maizza

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Prof. Eduardo Natalino dos Santos
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CEstA - Rua do Anfiteatro, 181, Colmeia, favo 8, Cidade Universitária - São Paulo-SP
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Descrição

CEstA Dupla com Chloe Nahum-Claudel e Fabiana Maizza
22/05/2026, às 17h30

Cozinhando com Lévi-Strauss e as mulheres Enawenê-nawê: em busca da condição humana nos detalhes da experiência cotidiana
As mulheres Enawenê-Nawê do Brasil Central tem uma relação próxima com seu sustento de base, a mandioca brava e tubérculos tóxicos em estado cru. Controlar o contato com a mandioca exige atenção constante da parte dos membros de uma casa (mudar a cozinha de lugar, tomar precauções xamânicas, cozinhar pratos especiais, etc.) pois aí se encontram pessoas vulneráveis aos efeitos nocivos da planta, concebida como um sujeito feminino hiperanimado – são elas, as mulheres menstruadas, seus parceiros, pais de recém-nascidos ou adolescentes. Seguindo a iniciativa de Lévi-Strauss e através da etnografia dessa convivência diária necessária, mas por vezes perturbadora, exploro como a condição humana é “cozida” por processos que são sempre tanto práticos como metafísicos. A ideia é justamente investigar a forma como a prática e a experiência sensoriais da vida se articulam com o mito e a ideologia referentes à mulher-mandioca. O que considero útil na obra de Lévi-Strauss sobre a culinária é que ele observa os pequenos detalhes da experiência cotidiana e oferece chaves heurísticas que fazem destas pequenas coisas – que muitas vezes dizem respeito às mulheres – indicadores de sentidos determinantes. Por meio de uma releitura crítica do “triângulo culinário” de Lévi-Strauss, proponho, portanto, uma perspectiva feminista sobre o ato de cozinhar a condição humana.

Chloe Nahum-Claudel
Chloé Nahum-Claudel é antropóloga, professora na Universidade de Manchester (UK). Depois de defender sua tese na Universidade de Cambridge em 2012, ela foi pesquisadora na EHESS (CERMA, Mondes-AM), no Pembroke College Cambridge, e na London School of Economics and Political Science. Suas pesquisas focam nas relações entre a humanidade e a natureza, no gênero, na dimensão política e inovadora do ritual e na diplomacia dos povos indígenas. Com base em seu trabalho de campo entre os Enawenê-nawê da Amazônia brasileira, ela publicou uma monografia, Vital Diplomacy (Oxford, Berghahn, 2018), e diversos artigos. Desde 2015, ela também realiza trabalho de campo em Papua Nova Guiné sobre caça às bruxas, o que a levou a adotar uma abordagem feminista mais explícita, abrindo também novas perspectivas para seu trabalho na Amazônia.

Jardins, plantas do mato e outras vegetalidades Jarawara: notas sobre mulheres indígenas e a ecologia da atenção
Pretendo pensar as práticas do criar e cuidar de plantas das mulheres jarawara em seus roçados, jardins, entornos, e na busca aos frutos da floresta, procurando especular sobre estas relações enquanto agência política e cosmopolítica. A ideia é pensar as práticas ecológicas das mulheres indígenas como práticas de emaranhamento com seres não humanos, algo que Despret chama de ecologia da atenção. Assim, a discussão visa dialogar com estudos feministas pós-estruturalistas que seguem as intuições e trabalhos de Lynn Margulis sobre simbiose que afirma que a vida na terra evolui não de forma isolada e competitiva, mas sim através de entrelaçamentos multiespécie onde relações interespecíficas formam os seres em um processo de coevolução. Procurarei deslocar a narrativa etnográfica para que as mulheres indígenas sejam descritas de uma forma mais próxima à forma como se autodescrevem em suas mobilizações intelectuais e políticas contemporâneas - “mulheres guerreiras da ancestralidade”, “mulheres biomas” - me interessando tanto pelas relações tecidas com plantas próximas, criadas pelas pessoas, como por aquelas distantes, que despontam sobretudo no período das chuvas, quando os mais diversos frutos podem ser apanhados no mato (yama kabani ya).

Fabiana Maizza
Fabiana Maizza é professora de antropologia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), formada em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo. Suas pesquisas atuais focam em relações de gênero e em relações entre humanos e plantas cultivadas entre os Jarawara, povo com quem dialoga desde 2004. Publicou artigos sobre agência feminina, políticas feministas da vida, ecologia e feminismo, e relações humano-planta. É atualmente pesquisadora associada ao Centro de Estudos Ameríndios (USP), à Societé des Américanistes (Musée du Quai Branly, Paris), e ao Ayé: Laboratório Interdisciplinar Natureza, Cultura e Técnica (UFPE, Recife).

Atividade presencial Entrada gratuita, sujeita à limitação do espaço
Não há inscrições
Sede do CEstA: Rua do Anfiteatro, 181, Colmeia - Favo 8
Cidade Universitária, São Paulo-SP www.cesta.fflch.usp.br cesta@usp.br Instagram: cestausp

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