CEstA Dupla com Julia Castro e Pedro Meniconi

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Telefone
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Docente responsável pelo evento
Eduardo Natalino dos Santos
Auditório / Sala / Outro local
Sede do CEstA: Rua do Anfiteatro, 181, Colmeia - Favo 8 Cidade Universitária, São Paulo-SP
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Descrição

CEstA Dupla com Julia Castro e Pedro Meniconi
14/08/2026, às 17h30

Julia SIlva de Castro
Doutoranda em Antropologia Social (PPGAS/USP), sob orientação do prof. Renato Sztutman, com financiamento FAPESP (2023/07123-8). Pesquisadora associada ao Centro de Estudos Ameríndios (CEstA). Realiza pesquisa junto aos Mebêngôkre-Xikrin desde 2023, com campo realizado na Terra Indígena Xikrin do Cateté, no sudeste paraense. Fez mestrado (2018) e bacharelado (2015) em Ciências Sociais na UFES.

Cosmopolíticas Mẽbêngôkre-Xikrin diante da catástrofe minerária no sudeste paraense
Etnografias anteriores entre os Xikrin do Cateté mostraram como o intenso afluxo de mercadorias e dinheiro provenientes de compensações ambientais de empreendimentos da então Companhia Vale do Rio Doce (atual Vale S.A.) tornou-se central a ponto de repercutir na vida política, nas relações de parentesco e nas atividades cerimoniais. Interessa-me pensar uma conjuntura distinta, marcada pela progressiva burocratização desses fluxos e pela administração permanente dos efeitos nocivos da mineração sobre o território e a vida comunitária. Nas últimas décadas, as interações entre os Xikrin, a Vale e diferentes instâncias estatais passaram a ser mediadas por um conjunto crescente de dispositivos de gestão (reuniões do Plano Básico Ambiental, consultas, condicionantes, oficinas, relatórios, visitas técnicas, projetos, acordos de compensação) que organizam a circulação de recursos e a própria mediação das relações entre empresa e comunidade. Busco discutir em que medida essa mudança no regime de mediação dessas relações tenciona progressivamente o centro da vida política Xikrin, na medida em que a gestão permanente da catástrofe passa a disputar o tempo, a atenção e as prioridades dos chefes, comprimindo o tempo dedicado à produção cotidiana de pessoas e relações, à preparação das festas, às caçadas, aos rituais. Tomando como fio condutor uma queixa ouvida repetidas vezes durante o trabalho de campo nas aldeias, sintetizada por um amigo xikrin na frase “É tanta reunião que não tem tempo de fazer festa!”, proponho refletir sobre como as cosmopolíticas Mẽbêngôkre-Xikrin vêm sendo reconfiguradas diante de um contexto em que administrar os efeitos dos projetos minerários no território tornou-se, cada vez mais, uma dimensão incontornável da vida coletiva.

Pedro Almeida Meniconi
Pedro Meniconi é doutorando do PPGAS-USP, em cotutela com a Université Paris-Nanterre – sob a orientação da profa. Sylvia Caiuby Novaes (USP) e Philippe Erikson (CNRS), com financiamento FAPESP. Pesquisador associado ao Centro de Estudos Ameríndios da USP (CEstA), do Grupo de Antropologia Visual da USP (GRAVI), e do Laboratoire d’Ethnologie et Sociologie Comparative (LESC). Realiza pesquisa junto aos Bororo desde 2023, com pesquisa de campo nas TIs Bororo Tadarimana e Córrego Grande. Mestre em Antropologia Social pelo PPGAS-USP (orientação de Sylvia Caiuby Novaes). Bacharel em Ciências Econômicas (FEA-USP) e em Ciências Sociais (FFLCH-USP).

Sujeito e território: morte e vida entre os Bororo
A morte impõe aos Bororo intenso estado de perturbação cosmológica. Seus longos funerais exigem a associação entre pessoas, animais, vegetais, minerais e topografia para dar corpo aos aroe. Estes, junto ao Bope, são os sujeitos ontológicos Bororo, são corpos-em-contínuo constituídos por existentes de diferentes natureza. Mas, se os primeiros conferem estabilidade ao cosmos, à organização social, e à identidade Bororo, o bope, por sua vez, é a expressão da metamorfose, da transformação. Fazer os aroe é uma maneira de transformar bope em aroe: o cadáver em ancestral, o finado em um substituto, o fim em começo, “inserir a diacronia na sincronia” – nas palavras de Caiuby Novaes, “reconfigurar o mundo”. Antes de serem categorias antitéticas, aroe e bope são posições relacionais entre existentes associados. Proponho nessa interlocução a interpretação de um canto pós-funerário (barogo biri bataro dodo) entoado no momento da realização da vingança da morte, com a oferta da pele de uma onça pintada para o clã enlutado: quando se afirma a substituição do finado pelo vingador e se reconhece o território como o caminho dos aroe, que deixa um corpo morto para retornar em um substituto. Essa concepção de corpo, sujeito e território nos leva a discutir os limites epistemológicos que reduzem a natureza a objeto, o território a propriedade, e questiona a política de demarcação das Terras Bororo sufocadas por campos de monocultura.

Atividade presencial
Entrada gratuita, sujeita à limitação do espaço
Não há inscrições

Sede do CEstA: Rua do Anfiteatro, 181, Colmeia - Favo 8
Cidade Universitária, São Paulo-SP
www.cesta.fflch.usp.br
cesta@usp.br
Instagram: @cestausp

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CEstA Dupla com Julia Castro e Pedro Meniconi