
“A globalização é o estágio supremo do imperialismo”. A afirmação é do geógrafo Milton Santos, um dos mais importantes pensadores da Geografia no Brasil, que completaria 100 anos em 2026. Milton Santos revolucionou o estudo da Geografia ao apontar criticamente as desigualdades produzidas pelo capitalismo globalizado, especialmente nos países do Sul Global. Sua obra também se destaca por propor uma interpretação original do espaço geográfico, entendendo-o como resultado das relações sociais, econômicas e políticas, de acordo com Billy Malachias, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.
O geógrafo também buscou pensar na centralidade das ações a partir das pessoas e não da posição do dinheiro na sociedade atual, segundo a professora Mónica Arroyo, do Departamento de Geografia da FFLCH. Em seus estudos, Milton Santos rompeu com as visões descritivas e naturalizantes que a pesquisa em Geografia tinha à época e introduziu uma abordagem crítica a esta área de estudos, conhecida como Geografia Crítica.
Milton Santos destacou o papel da técnica na organização do território e formulou a teoria dos Dois Circuitos da economia urbana, ao demonstrar que as cidades periféricas se estruturam a partir de dois sistemas interdependentes: um moderno, intensivo em capital e tecnologia, e outro voltado à sobrevivência, marcado pelo trabalho de baixa renda.
Primeiro latino-americano a receber o Prêmio Vautrin Lud, Milton Santos teve atuação marcante na USP, onde contribuiu com a formação de gerações de pesquisadores. Em 1997, recebeu o título de Professor Emérito da FFLCH pela sua contribuição ao ensino, pesquisa e extensão. Para Malachias, seu pensamento “ajuda a explicar o presente”, enquanto Arroyo destaca que sua obra segue estimulando o debate sobre o uso do território e as desigualdades no século 21.
Trajetória Acadêmica
Milton Santos nasceu em 3 de maio de 1926, em Brotas de Macaúbas, no interior da Bahia, e se tornou um dos maiores intelectuais brasileiros do século 20. Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutor em Geografia pela Universidade de Strasbourg, construiu sua trajetória na Geografia, área em que alcançou reconhecimento internacional por suas análises sobre urbanização, globalização e desigualdade.
Desde cedo ligado ao ensino, iniciou a carreira como professor ainda jovem e, ao longo das décadas, consolidou uma produção acadêmica ampla, com mais de 40 livros publicados. Sua obra foi marcada por uma leitura crítica do espaço geográfico, entendido como resultado das relações sociais, econômicas e políticas.
A partir dos anos 1960, desenvolveu estudos pioneiros sobre as cidades de países então chamados de subdesenvolvidos, contribuindo para renovar a Geografia Humana. Suas pesquisas ajudaram a compreender a urbanização desigual e os efeitos do capitalismo global sobre o território, tornando-se referência para estudos no Brasil e no exterior.
Perseguido pelo regime militar, iniciou uma carreira internacional a partir de 1964, lecionando em universidades da Europa, América e África, como parte de um percurso que ampliou sua projeção acadêmica e consolidou sua produção teórica.
Na década de 1980, retornou ao Brasil e passou a atuar na USP, onde se tornou Professor Titular e, posteriormente, Professor Emérito da FFLCH. Na instituição, formou gerações de pesquisadores e fortaleceu uma Geografia crítica e interdisciplinar.
Em 1994, Milton Santos recebeu o Prêmio Internacional de Geografia Vautrin Lud, considerado o “Nobel da Geografia” e o prêmio de maior prestígio na área. O geógrafo é, até hoje, o único latino-americano que recebeu a premiação.
Um de seus livros mais conhecidos é Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal (Editora Record), publicado em 2000. Nele, o autor analisa a globalização em três dimensões: como fábula, pelo discurso de integração do mundo; como perversidade, ao aprofundar desigualdades; e como possibilidade, ao apontar alternativas construídas pelas populações periféricas com base na cooperação e na solidariedade.
Milton Santos morreu em 24 de junho de 2001, em São Paulo, deixando um legado que segue atual. Seu pensamento continua contribuindo para a compreensão das transformações do espaço, das desigualdades e dos desafios do mundo contemporâneo.
O Serviço de Comunicação Social da FFLCH entrevistou Billy Malachias e Mónica Arroyo para falar sobre a trajetória de Milton Santos. Confira a seguir as entrevistas:
Serviço de Comunicação Social: Quem foi Milton Santos e qual sua importância para a Geografia?
Billy Malachias: O pensamento de Milton Santos é resultado de uma síntese crítica e sofisticada que transitou da geografia tradicional para uma abordagem humanista, técnica e política, tendo o espaço geográfico como categoria central.
Santos é um dos mais importantes geógrafos e intelectuais brasileiros do século 20, reconhecido internacionalmente pelos estudos das cidades nos países subdesenvolvidos (estou usando a denominação da época) e por renovar os estudos da Geografia Humana a partir de uma perspectiva crítica, sobretudo voltada aos países do Sul global.
A importância do professor Milton Santos pode ser sintetizada em três dimensões centrais: na dimensão intelectual, formulou uma interpretação original do espaço geográfico como resultado das relações sociais, econômicas e políticas; na dimensão política, apontou criticamente as desigualdades produzidas pelo capitalismo globalizado, especialmente nos países da chamada periferia global; na dimensão epistemológica, rompeu com as visões descritivas e naturalizantes da Geografia, introduzindo nessa disciplina uma abordagem crítica, que ficou conhecida como Geografia Crítica.
Milton Santos foi o primeiro geógrafo latino-americano a receber o Prêmio Vautrin Lud (1994), considerado o “Nobel da Geografia”.
Mónica Arroyo: Milton Santos é um intelectual com uma busca permanente por entender o mundo e, desse modo, contribuir para sua transformação. Trata-se de um compromisso com o seu tempo, a partir de um campo específico do saber – a Geografia –, mas em permanente diálogo com outras disciplinas e outros saberes. O autor não mede esforços numa teorização sistemática ao interior da Geografia, tornando central a discussão sobre seu objeto central, isto é, o espaço geográfico. E, ao mesmo tempo, dedica-se a estar em diálogo aberto e permanente com a filosofia, a história, a economia, a sociologia, entre outras disciplinas. Sua extensa obra assim o evidencia; sua trajetória como intelectual público, engajado na defesa de um mundo mais justo e igualitário, assim o revela.
Santos denota sua inquietação por indagar as condições do mundo contemporâneo mostrando como a marcha do capitalismo impõe crises e contradições e produz desigualdades socioespaciais. Mas, ao mesmo tempo, sua obra é um convite a pensar na possibilidade de realização de um outro futuro. E, para isso, o autor sugere uma inversão no ato de olhar o mundo, falando na centralidade da periferia. Assim questiona a ideia de que a história seria sempre feita a partir dos países centrais, ou seja, a partir daqueles países que ocupam o centro do sistema capitalista. Descortinar o mundo e interpretá-lo desde o Sul, a África, a América Latina, o Brasil, eis o desafio para o autor. Colocar a periferia no centro para discutir a hegemonia do poder econômico e político, a racionalidade dominante, a natureza da cooperação internacional, os problemas estruturais. Mas isto também leva a pensar a centralidade da periferia a partir das metrópoles, das grandes cidades, que revelam desigualdades socioespaciais profundas. Ao mesmo tempo, essa periferia mostra uma enorme diversidade e sobretudo a existência de relações cotidianas que criam uma cultura própria, resistente, utilizando os lugares como um abrigo e sendo uma base para a construção de um outro futuro.
O autor chama a atenção para uma outra manifestação ou camada de centralidade, que é a centralidade do social. Pensar a centralidade de todas as ações a partir da pessoa humana, em oposição ao lugar ocupado pelo dinheiro na sociedade contemporânea. Trata-se do dinheiro em estado puro, em suas formas mais agressivas, aquelas que giram em torno da especulação, da ganância, da cobiça, mas também em torno de um consumo alienante, fundamentalista, despótico. A atenção e preocupação pela pessoa no sentido filosófico e existencial deveria substituir o poder do dinheiro para pensarmos em um mundo melhor.
Serviço de Comunicação Social: Em relação à pesquisa de Milton Santos, quais foram suas principais teorias dentro da Geografia Humana e Crítica e quais as principais contribuições de suas obras para o desenvolvimento da Geografia?
Billy Malachias: A obra de Milton Santos é vasta e isso traz certa dificuldade para eleger algumas das suas principais contribuições teóricas. Entretanto, destaco abaixo algumas contribuições teóricas que considero estruturantes da Geografia contemporânea:
a) Espaço geográfico como “um conjunto indissociável de um sistema de objetos e de um sistema de ações” (livro A Natureza do Espaço, 1996).
Estradas, prédios, redes de fibra ótica, plantações, relevo. São elementos materiais e fixos — cada vez mais técnicos e intencionais organizados em sistema. Sozinhos, são coisas inertes. Trabalho, circulação de dados, pessoas e capital, decisões políticas, comércio, movimentos sociais são ações guiadas por intencionalidades – de empresas, governos e pessoas. Sem a ação, uma fábrica é apenas um galpão. Com o trabalho, ela se torna espaço geográfico.
Essa definição é central porque coloca o espaço geográfico como objeto de estudo da Geografia, ao mesmo tempo em que oferece um método que operacionaliza explicações e compreensão sobre o mundo, o lugar e o território a partir da Geografia.
b) Técnica, espaço, tempo.
Para Milton Santos, a técnica transcende sua compreensão instrumental. Ela não é mero conjunto de ferramentas ou procedimentos — é uma categoria analítica fundamental que permite decifrar como o tempo histórico se materializa no espaço
geográfico.
A técnica opera como elo entre história e território: cada sistema técnico dominante de uma época deixa marcas indeléveis na organização do espaço, criando formas que sobrevivem ao período que as gerou e condicionam os períodos seguintes.
A formulação central é a de que a técnica permite compreender como o tempo se materializa no espaço — ela é, ao mesmo tempo, herança histórica e condição presente da ação humana no território.
Essa mediação é o que torna a Geografia uma ciência histórica por excelência: o espaço guarda, em suas formas, os rastros das técnicas que o produziram.
c) Os dois circuitos da economia urbana.
No livro Espaço Dividido, Milton Santos propõe a teoria dos dois circuitos da economia urbana — circuito superior e circuito inferior — e ensina que as cidades dos países subdesenvolvidos (ou periféricos) não funcionam de forma uniforme, mas sim segmentadas em dois sistemas econômicos coexistentes e interligados, resultado do processo de urbanização e modernização desigual.
Os dois circuitos operam no mesmo espaço urbano, mas com diferentes intensidades de capital, tecnologia e organização.
O Circuito Superior (hegemônico) é moderno, caracterizado pelo uso elevado de tecnologia e capital, tendo relações estreitas com a economia global. São seus agentes os grandes bancos, indústrias, comércio de exportação, atacadistas e serviços modernos. Caracteriza-se pela alta produtividade, crédito fácil, tecnologia avançada e regulação estatal. Tem seu foco orientado para o lucro, escala global e acumulação de capital.
O Circuito Inferior (não hegemônico) é formado por atividades de pequena escala, caracterizado por uso intensivo de trabalho e baixa tecnologia. São seus agentes pequenos varejistas, artesãos, vendedores ambulantes, prestadores de serviços pessoais. Apresenta como características a baixa produtividade, dificuldade de crédito, alta dependência de mão de obra e ausência de regulação. Esteve focado na subsistência e sobrevivência.
Na teoria miltoniana, o circuito inferior não é apenas tradicional, ele é recriado continuamente pela pobreza urbana e depende do circuito superior para insumos e transporte, ao mesmo tempo em que serve de suporte para a vida dos trabalhadores de baixa renda, que não podem acessar o circuito superior.
A cidade é, nessa perspectiva, dividida não apenas funcionalmente, mas também espacialmente, com o circuito superior ocupando áreas centrais e modernas, enquanto o inferior se espalha de forma capilarizada, ocupando ruas, feiras e bairros periféricos. Milton Santos valorizava o circuito inferior como a “verdadeira economia” das camadas pobres, preferindo, na época, este termo a ”economia informal”; que ele considerava reducionista.
A teoria explica como a modernização tecnológica, vinda de fora (países centrais), cria um setor moderno (superior) que não consegue absorver toda a mão de obra, forçando a criação do setor inferior para a sobrevivência da população local.
Em suma, a teoria demonstra que a urbanização periférica é marcada pela dualidade, em que a modernidade de um circuito não elimina o outro, mas ambos se organizam de forma interdependente e contraditória.
Vale ressaltar que a teoria dos dois circuitos se originou para explicar a urbanização dos países periféricos. No entanto, na atualidade, o aumento da interdependência dos lugares, tornada possível pelos sistemas técnicos disponíveis, demandou incorporar às análises da economia urbana novos elementos, como, por exemplo, a expansão do sistema de crédito e o uso das novas tecnologias, algumas incorporadas no circuito inferior.
d) Globalização: fábula, perversidade e possibilidade
Na obra Por uma outra globalização, Milton Santos define a globalização como fábula: discurso ideológico difundido pela globalização. Como perversidade, exclusão e desigualdade. E como possibilidade, potencial de transformação a partir dos de baixo.
Mónica Arroyo: Como disse Santos numa entrevista, “a teoria é uma produção social datada, o que significa que as grandes mudanças históricas ferem mortalmente os conceitos vigentes”, daí a necessidade de sua atualização. Isto levaria o autor a um aprofundamento incessante em questões de teoria e método e à elaboração de um sistema de conceitos constitutivos e operacionais, fundado num exercício de análise da conjuntura histórico-geográfica, para fugir da descrição meramente adjetiva ou baseada em metáforas.
Desde a década de 1960, Santos estudou a urbanização nos países subdesenvolvidos e se debruçou sobre suas especificidades. O autor analisa a organização do espaço desigual e seletivo que a modernização capitalista provoca, mostrando como se formam dois circuitos, interconectados, nas cidades dos países periféricos: 1. o circuito superior da economia urbana, moderno, composto por empresas e atividades intensivas em tecnologia, altamente rentáveis e extremamente sofisticadas do ponto de vista de sua organização interna; 2. o circuito inferior da economia urbana, composto por uma enorme quantidade de pequenas firmas e atividades econômicas que são muito simples nas técnicas que utilizam, e com rentabilidades baixíssimas, representando a maioria da população e suas estratégias de sobrevivência em seus lugares de vida.
A ênfase na técnica e na ciência – e a necessidade de problematizar esse processo a partir de uma perspectiva geográfica crítica – permanece no centro de sua produção acadêmica. Também a informação, em todas suas formas, é reconhecida como motor fundamental do processo social e incorporada na compreensão do espaço geográfico. A ciência, a técnica e a informação estão na base de todas as formas de uso do espaço, de igual maneira que participam da criação de novos processos vitais e da produção de novas espécies (animais e vegetais). Nessa perspectiva, Santos aponta que o meio geográfico do período contemporâneo se atualiza com um crescente conteúdo de ciência e de técnica, mas também de informação, que tanto está presente nas coisas como é necessária à ação realizada sobre essas coisas. Assim, o conceito de meio técnico-científico informacional ganha centralidade na sua construção teórica e epistemológica, e através dele, o autor oferece uma leitura substantiva da globalização, em seu caráter perverso, mas também naquilo que ela carrega como potencialidade, como portadora de outras possibilidades de existência. Assim, analisou criticamente a globalização contemporânea e apontou o seu caráter perverso, mas, também, como ela pode vir a ser uma outra globalização, indagando as condições de realização de uma nova história. Ensinou a entender como o lugar - todo lugar, cada lugar - restitui o mundo, revela o mundo. Nas suas palavras “No lugar, estamos condenados a conhecer o mundo pelo que ele já é, mas, também, pelo que ainda não é”.
Serviço de Comunicação Social: Qual foi o papel de Milton Santos como docente e de que forma suas ideias dialogam com a produção acadêmica da FFLCH?
Billy Malachias: Milton Santos teve uma atuação marcante como professor em diversas universidades no Brasil e no exterior. Particularmente na Universidade de São Paulo, consolidou parte importante de sua produção intelectual. E como docente, formou gerações de geógrafos críticos, incentivou uma leitura interdisciplinar em diálogo com sociologia, economia, filosofia, história. Criticava corporativismos acadêmicos, a burocratização da atividade docente e defendia uma ciência pública comprometida com a realidade social.
A influência da sua obra é visível até hoje em linhas de pesquisa sobre território e poder, urbanização, economia espacial, cidadania espacial, teoria crítica, globalização. E mais recentemente é empregada nos estudos sobre espaço geográfico e relações raciais.
Mónica Arroyo: O esforço de teorização para conceber o mundo em que vivemos sob um olhar geográfico estrutura vários projetos de pesquisa coordenados por Santos nas décadas de 1980 e 1990, cujos resultados expõe nas suas aulas e também como material para discussão em congressos, seminários, colóquios, bem como em publicações de artigos, livros e entrevistas que fazem parte da produção acadêmica da FFLCH.
Neste momento, é importante lembrar suas palavras quando recebeu o título de Professor Emérito da FFLCH / USP. No seu pronunciamento: “Acreditar no futuro é também estar seguro de que o papel de uma Faculdade de Filosofia é o papel de crítica, isto é, da construção de uma visão abrangente e dinâmica do que é o mundo, do que é o país, do que é o lugar, e o papel de denúncia, isto é, de proclamação clara do que é o mundo, o país e o lugar, dizendo tudo isso em voz alta. Essa crítica é o próprio trabalho do intelectual”. Para concluir, “A universidade é, talvez, a única instituição que pode sobreviver apenas se aceitar críticas, de dentro dela própria, de uma ou outra forma. Se a universidade pede aos seus participantes que calem, ela está se condenando ao silêncio, isto é, à morte, pois seu destino é falar.”
Serviço de Comunicação Social: Qual a relevância de seu legado acadêmico e profissional para a sociedade brasileira e mundial atual?
Billy Malachias: O legado de Milton Santos é extremamente atual e estratégico. Para o Brasil, ajuda a compreender a desigualdade socioespacial, exclusão urbana e precarização, oferecendo ferramentas para pensar políticas públicas mais justas e equânimes. Para o mundo, está entre os pensadores que anteciparam críticas à globalização neoliberal e que influenciou, pode-se dizer, desde a década de 70, estudos sobre o que hoje é chamado de Sul Global. Propondo uma visão alternativa de desenvolvimento baseada na cidadania e uso solidário do território.
A atualidade de seu pensamento dialoga com o avanço tecnológico acelerado, com o aprofundamento das desigualdades e crise ambiental e urbana. E problematiza a construção de uma outra globalização possível.
Milton Santos se definia como um intelectual público, que transformou a Geografia em uma disciplina de interpretação crítica do mundo e de intervenção na realidade. Acredito que seu pensamento segue vivo porque ajuda a explicar o presente, revela contradições do espaço geográfico e aponta caminhos para a transformação social.
Mónica Arroyo: Podemos destacar a relevância deste intelectual cuja obra, por sua força e originalidade, continua a estimular o debate e o pensamento crítico. Nesse sentido, dizemos que o sistema de conceitos proposto por Milton Santos permite refletir e debater sobre a multiplicidade de manifestações do espaço geográfico contemporâneo, sobre as disputas no uso dos territórios neste século 21. Sua proposta teórica permite fazer questionamentos para pensar o Brasil, a América Latina e o mundo contemporâneo.
*Com informações do site Milton Santos.