Relacionamos abaixo as manifestações de repúdio de Departamentos e Centros da FFLCH em relação aos episódios de violência ocorridos desde 10/05/2026. As notas estão publicadas em ordem de chegada:
Nota contra a violência policial do Departamento de História da FFLCH
A Chefia do Departamento de História condena com veemência o uso da violência pela Polícia Militar contra os estudantes que ocupavam o prédio da Reitoria, resultando em presos e feridos. Independentemente da posição que se tenha sobre a estratégia dos estudantes, é inaceitável recorrer à repressão policial para resolver o problema.
A Universidade é espaço de reflexão e diálogo. Assim se produzem conhecimentos, ideias e consciências. Em cenário de discordância e tensão, como o que hoje atravessamos na USP, é preciso relembrar a necessidade e a urgência de negociações e de respeito pelas diferenças de opinião.
Miriam Dolhnikoff (Chefe do Departamento de História)
Júlio Pimentel (Vice-Chefe do Departamento de História)
Nota pública das Presidências das Comissões de Inclusão e Pertencimento da USP
As Presidências das Comissões de Inclusão e Pertencimento da Universidade de São Paulo, das Unidades signatárias desta nota, manifestam profunda preocupação e veemente repúdio à violência praticada contra estudantes da USP no contexto da desocupação do prédio da Reitoria.
A retirada forçada de estudantes, realizada por meio de ação policial, representa grave escalada de um conflito que deveria ser enfrentado no âmbito da própria Universidade por meio do diálogo, da escuta qualificada, da mediação institucional e da construção democrática de soluções. A presença da força policial como resposta a reivindicações estudantis não pode ser naturalizada como instrumento legítimo de resolução de conflitos universitários.
Independentemente das distintas posições acerca da ocupação e dos acontecimentos recentes, reafirmamos que a integridade física, psicológica e moral das pessoas que compõem a comunidade universitária deve ser protegida em qualquer circunstância. O respeito à dignidade humana, ao direito de livre manifestação, à organização coletiva e à participação política é condição fundamental para a vida acadêmica e para a missão pública da Universidade.
A Universidade de São Paulo, como instituição pública, plural e comprometida com o ensino, a pesquisa, a extensão, a inclusão e a permanência estudantil, deve ser espaço de convivência democrática, capaz de acolher conflitos e dissensos sem recorrer à intimidação, à repressão ou à criminalização de estudantes.
Diante da gravidade da situação, conclamamos à retomada urgente do diálogo e da negociação, com respeito mútuo, responsabilidade institucional e compromisso com a superação democrática do impasse. Também consideramos fundamental que os acontecimentos e violações sejam devidamente apurados, com transparência e garantia de direitos humanos.
As Comissões de Inclusão e Pertencimento têm como princípio a defesa de uma Universidade mais justa, diversa, democrática e acolhedora. Por isso, reafirmamos nosso compromisso com a dignidade humana, com o direito à livre manifestação e com a institucionalidade democrática como fundamentos indispensáveis da vida universitária.
Assinam essa nota as Presidências das Comissões de Inclusão e Pertencimento:
Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Escola de Comunicações e Artes, Escola de Enfermagem, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Escola Politécnica, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design, Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Faculdade de Direito de São Paulo (Largo São Francisco), Faculdade de Educação, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Faculdade de Medicina, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Faculdade de Saúde Pública, Instituto de Arquitetura e Urbanismo, Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação, Instituto de Física, Instituto de Geociências, Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação, Instituto de Psicologia, Instituto de Química, Museu de Arqueologia e Etnologia, Museu de Arte Contemporânea, Museu Paulista
O Departamento de Geografia da USP repudia de forma veemente o ato de violência dirigido aos alunos em greve desta universidade na madrugada de hoje, dia 10 de maio de 2026, pela polícia militar, e se solidariza com as vítimas diretas desta violência.
A atual greve estudantil representa um momento revelador de um processo necessário de democratização da universidade pública que, depois de muita luta social, se abriu para camadas menos favorecidas. No entanto, essa abertura não tem sido acompanhada com implementação de políticas de permanência a contento, o que resultou na legítima e legal manifestação grevista dos estudantes. Entrar numa universidade pública e não ter condições de nela permanecer e desfrutar devidamente de seus atributos, isso, talvez, seja uma das maiores violências morais que se possa perpetrar contra os seus estudantes.
Nesse sentido, a ocupação pelos estudantes do prédio da reitoria foi uma ação extrema na busca da retomada do diálogo e das negociações, suspensos de forma unilateral pela reitoria no início da semana passada. A posição da reitoria de fechamento ao diálogo, seguida pela intervenção da política militar no campus Butantã, representa um grave desrespeito aos princípios democráticos que devem reger a vida universitária, bem como a formação proporcionada por esta universidade.
A retomada do prédio com a violência instaurada pela polícia, na calada da noite, infringindo as normas legais, remete não só aos piores tempos da política e polícia brasileiras dos anos pós 1964, mas retroage ao genocídio das comunidades originárias que eram assaltadas por grupos de interesses econômicos, para tomar suas terras e direitos, enquanto dormiam.
A universidade, neste ato abominável e covarde do dia 10.05.2026, demonstra o lado mais cruento da civilização, em que o outro deve ser sacrificado em nome de certa normalidade, em pleno confronto contraditório com suas próprias políticas de inclusão. A luta dos estudantes contra o sucateamento da Residência Universitária, contra a degradação do restaurante universitário, contra o fim dos ônibus para trabalho de campo, contra o fim da figura de motorista como funcionário da universidade, contra os limites de auxílios à permanência, mas em favor de uma graduação de melhor qualidade, é uma luta, para além dos interesses discentes, em prol de uma universidade comprometida com a dignidade de sua comunidade, a democracia e a justiça social.
Abaixo toda forma de violência e que sejam apuradas as devidas responsabilidades sobre o ocorrido. Viva a capacidade reivindicativa dos estudantes!
São Paulo, 10.05.2026
Prof. Dr. Anselmo Alfredo
Chefe DG FFLCH USP
Nota de repúdio do Departamento de Antropologia da FFLCH à repressão policial na Reitoria
O Departamento de Antropologia e o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social condenam veementemente o uso da força policial na desocupação da Reitoria da USP.
A repressão, que resultou na detenção e no ferimento de estudantes em ação na madrugada de domingo, demonstra uma perigosa opção pelo uso da violência em detrimento da mediação política.
Tratar conflitos inerentes à vida universitária como casos de polícia é um grave retrocesso.
Não podemos normalizar que o espaço da universidade seja convertido em um ambiente de confronto militarizado. Nossos estudantes não são inimigos da nossa instituição.
Reafirmamos a urgência de que os impasses sejam resolvidos com escuta institucional e respeito às diferenças de opinião, honrando o caráter público e democrático que alicerça o nosso trabalho diário na USP.
Chefia do Departamento de Antropologia
Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social
São Paulo, 10 de maio de 2026
O Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo manifesta seu veemente repúdio à ação policial violenta ocorrida no dia de hoje durante a desocupação da Reitoria da Universidade.
Independentemente da avaliação sobre os episódios envolvidos na ocupação, o uso da força contra estudantes em mobilização política representa um grave ataque aos princípios democráticos que devem orientar a vida universitária. Causa especial preocupação o emprego de violência policial contra estudantes no interior de uma instituição cuja missão está vinculada à formação crítica, à liberdade de expressão e ao compromisso com políticas de inclusão.
Entendemos que conflitos no âmbito universitário devem ser conduzidos por meio da escuta e da negociação, com respeito à autonomia universitária e à preservação das garantias fundamentais de manifestação e participação política.
Fernanda Ortale
Pablo Gasparini
Departamento de Letras Modernas
Nota Pública do Departamento de Sociologia da FFLCH sobre a ação da Polícia Militar no campus da USP
O Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo repudia de forma veemente a ação da Polícia Militar no campus da USP ocorrida neste domingo, e o recurso a qualquer tipo de violência como mecanismo de resolução de conflitos, como o que atualmente vivenciamos em nossa universidade.
Quando o diálogo é substituído pela violência, o que se fragiliza é a própria ideia de universidade como espaço de participação política, produção crítica e convivência plural. Manifestamos solidariedade às pessoas da comunidade universitária afetadas pela ação policial e reafirmamos a necessidade urgente de reconstrução dos canais de diálogo e resolução democrática dos conflitos no interior da universidade.
Chefia do Departamento de Sociologia
Nota do Departamento de Filosofia da FFLCH contra a violência policial
A Chefia do Departamento de Filosofia e os professores abaixo-assinados condenam com a máxima veemência o uso da violência pela Polícia Militar contra os estudantes que ocupavam o prédio da Reitoria. Independentemente da posição que se tenha sobre a estratégia dos estudantes, concordamos que foi inaceitável o que aconteceu. Porque vive em conflito, a Universidade é espaço de reflexão e diálogo. Não há nisso contradição. Pelo contrário, assim se produzem conhecimentos, ideias e posturas.
Em cenário de discordância e tensão, como o que hoje atravessamos na USP, é preciso relembrar nossas origens universitárias, e por conseguinte a necessidade e a urgência de diálogo e de respeito pelas diferenças de opinião, sem que isso implique de nenhuma parte o recurso à violência. O respeito aos direitos de cada indivíduo e de cada setor dentre os que compõem a universidade é crucial para que possamos caminhar para uma resolução da atual situação.
Alberto Barros, Caetano Plastino, Carlos Eduardo de Oliveira, Cícero Araújo, Edelcio Gonçalves de Souza, Homero Santiago, Isabel Fragelli, Lorenzo Mammì, Luís César Oliva, Luiz Sérgio Repa, Marcus Sacrini, Maria das Graças de Souza, Márcio Suzuki, Maurício Keinert, Maurício Ramos, Milton Meira do Nascimento, Moacyr Novaes, Olgária Chain Féres Matos, Oliver Tolle, Osvaldo Pessoa Jr., Patrício Tierno, Paulo Eduardo Arantes, Renato Janine Ribeiro, Ricardo Fabbrini, Scarlett Marton,Sérgio Cardoso, Silvana Ramos, Tessa Moura Lacerda, Thiago Vargas, Valter Alnis Bezerra, Virgínia Costa, Vladimir Safatle
Nota de repúdio da Comissão de Cultura e Extensão sobre os fatos do dia 10 de maio de 2026
A Comissão de Cultura e Extensão Universitária da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - CCEx, expressa veemente repúdio aos atos de violência registrados na madrugada do dia 10 de maio de 2026 no prédio da Reitoria da Universidade de São Paulo.
É inadmissível que uma ação repressiva da Polícia Militar de São Paulo resulte em agressão física de estudantes que exerciam, coletivamente, seu direito de manifestação no campus.
A CCEx expressa solidariedade aos agredidos e apela para que a apuração das responsabilidades pela intervenção seja realizada para que esse tipo de ocorrência não se repita em qualquer dependência da USP. Apela, ainda, para que as partes retomem o diálogo, sem o qual a superação das dificuldades não será atingida.
Por fim, a CCEx aponta que, em situações de conflito anteriores, foram constituídas comissões de professores que atuaram pela retomada do diálogo entre estudantes e o corpo diretivo da USP. Essa estratégia poderia ser replicada para evitar novos acirramentos que tensionem com violência a convivência universitária, que deve ser orientada pelo debate franco e de oposição de ideias, sem confrontação física e qualquer forma de constrangimento.
Professor Doutor Wagner Costa Ribeiro
Presidente da Comissão de Cultura e Extensão Universitária
Nota de repúdio do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada à ação policial na Reitoria no dia 10 de maio
O Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas condena de forma veemente a violência policial empregada contra os estudantes durante a madrugada do dia 10 de maio.
A Universidade é um espaço de reflexão e de diálogo, e é pela via da interlocução e da negociação que se deve buscar, de forma incondicional, a solução de conflitos.
Entendemos que a natureza violenta da desocupação da Reitoria é inteiramente incompatível com os princípios democráticos e o convívio respeitoso esperados no ambiente universitário.
Chefia do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada
Nota de Repúdio do Diversitas à Ação Violenta da Polícia Contra Estudantes da USP
O Diversitas – Núcleo de Pesquisa em Diversidade, Intolerância e Conflitos e o Programa de Pós-Graduação Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades (FFLCH-USP) manifestam seu profundo repúdio à violenta ação policial realizada na desocupação do prédio da Reitoria da USP, ocorrida na madrugada deste domingo (10 de maio).
A utilização da força contra estudantes, resultando em pessoas feridas e detidas, representa uma grave violação aos princípios de diálogo e convivência democrática que devem orientar a vida universitária.
É inaceitável que a resposta institucional a conflitos dentro do campus ocorra por meio da repressão policial. Situações dessa natureza exigem disposição ao diálogo, mediação e construção coletiva de soluções, e não ações marcadas pela força e pela intimidação.
A Universidade pública deve preservar sua vocação como espaço de debate, escuta e convivência. Manifestamos nossa solidariedade às pessoas atingidas pela violência e reafirmamos o compromisso com a defesa das liberdades democráticas e do diálogo no interior da USP.
Prof. Maurício Cardoso - Coordenador do PPGHDL/FFLCH/USP
Prof. Sérgio Bairon - Coordenador Acadêmico Diversitas-USP
Teresa Teles - Coordenadora Executiva Diversitas-USP
Nota Pública das Comissões de Graduação da USP
Os Presidentes das Comissões de Graduação das Unidades da Universidade de São Paulo manifestam profunda preocupação e repúdio diante da ação violenta da Polícia Militar durante a desocupação da Reitoria da USP.
Reiteramos que nenhuma circunstância justifica o uso da força de modo a comprometer a integridade física e a dignidade dos estudantes. A Universidade deve permanecer como espaço de diálogo, escuta e construção democrática, especialmente em contextos de conflito e mobilização estudantil.
Diante dos impactos acadêmicos decorrentes do atual cenário, e visando garantir condições adequadas para a recomposição das atividades acadêmicas com responsabilidade pedagógica e respeito às condições de estudantes, docentes, funcionários e campos de prática, entendemos que a organização da recomposição das atividades deva ser construída internamente em cada Unidade, considerando suas especificidades acadêmicas, pedagógicas e administrativas. Reafirmamos a importância da retomada urgente do diálogo entre todas as instâncias envolvidas, prezando por encaminhamentos pautados na mediação institucional, no respeito mútuo e na negociação democrática.
Assinam essa nota as Presidências das Comissões de Graduação:
Escola de Enfermagem, Escola de Comunicação e Artes, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Faculdade de Educação
Faculdade de Saúde Pública, Instituto de Psicologia
O Departamento de Linguística se junta às necessárias manifestações de repúdio da comunidade uspiana à truculenta ação da polícia militar no dia 10 de maio em relação à ocupação da Reitoria por estudantes em greve. A universidade é o espaço para o debate e embate de ideias e não um ringue em que a força bruta armada tem a palavra final. A presença da polícia militar no campus para solucionar questões políticas internas à universidade, com emprego de violência física e psicológica, não pode, de maneira alguma, ser normalizada.
Departamento de Linguística
Nota Pública do Departamento de Ciência Política
Em adendo à nota da Diretoria da FFLCH do dia 10/05/26, a qual discutimos e subscrevemos na íntegra, o Departamento de Ciência Política vem se manifestar contra o ingresso da polícia militar no Prédio da Reitoria na madrugada do dia 10 de maio corrente, e contra os atos de violência a estudantes ocupantes do prédio.
Ao mesmo tempo, gostaríamos de fazer um chamado para que sejam evitadas estratégias e comportamentos que levem à radicalização de posições, a danos ao patrimônio público ou ao desgaste das relações interpessoais na comunidade universitária, que em nada contribuam para a solução do impasse na negociação entre estudantes e a Reitoria.
Chefia do Departamento de Ciência Política
Nota Pública do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo
O NEV/USP acompanha a manifestação do Departamento de Sociologia e de outras instâncias da Universidade de São Paulo no sentido de repudiar veementemente a ação da Polícia Militar no campus da USP, ocorrida na madrugada do último domingo, 10 de maio.
O Núcleo enfatiza o compromisso com a defesa da pluralidade no espaço universitário e destaca que a substituição do diálogo pela violência fragiliza a universidade como espaço de participação política, produção crítica de conhecimento e convivência democrática.
O NEV/USP defende incondicionalmente a liberdade de manifestação e de expressão e se posiciona de forma contrária ao uso da violência, sobretudo por parte de instituições públicas como resposta a conflitos dessa natureza.
A coordenação e os pesquisadores do NEV/USP se solidarizam com todas as pessoas da comunidade universitária atingidas por essas e outras ações violentas.
Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP)
Nota Pública do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas em Repúdio à Violência Policial
O Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas apoia e subscreve as inúmeras manifestações de mais completo e veemente repúdio à ação policial violenta que se dirigiu contra os estudantes da Universidade de São Paulo, dentre as quais se destacam o comunicado da Diretoria da FFLCH do dia 10/05/26, a nota pública das Presidências de Comissões de Inclusão e Pertencimento e os textos de diferentes departamentos e comissões da Faculdade. Na Universidade devem prevalecer valores democráticos, solidários e emancipatórios. Em concordância com todos os textos que estão circulando, esperamos que atos violentos não se repitam e que o diálogo e a reflexão fundamentem as próximas etapas dos trabalhos voltados para a resolução de problemas.
Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (DLCV/FFLCH/USP)
Nota de Repúdio à Invasão e Depredação do Prédio da Geografia e História da FFLCH USP
A Semana de Geografia, projeto de extensão existente há 20 anos, organizado pelo Laboratório de Ensino e Material Didático do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, vem a público manifestar seu repúdio a invasão do Prédio de Geografia e História da FFLCH USP por parte de baderneiros da extrema direita na tarde de hoje, 11 de maio de 2026, um dia depois da vexatória invasão da Polícia Militar do Estado de São Paulo no prédio da Reitoria, que resultou na expulsão violenta dos manifestantes que lutavam em prol de melhorias na universidade.
Os desordeiros extremistas em (mais) uma invasão covarde à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas na tentativa de deslegitimar a manifestação estudantil, vilipendiaram o prédio da Geografia e História, arrancando os cartazes, retirando cadeiras, hostilizando e gravando sem autorização os estudantes da Universidade e Membros da organização da Semana de Geografia, que lamentavelmente foram obrigados a interromper suas atividades, devido a investida fascista que pretendia nada mais que, utilizar da violência simbólica e verbal como forma de chamar atenção para suas pautas vazias. Vale ressaltar, neste contexto, a falta de atenção da Guarda Universitária, que agiu apenas quando todos os cartazes e cadeiras já estavam retirados, e alunos e funcionários estavam sendo coagidos e ameaçados, além de no final, CUMPRIMENTAR cada invasor pessoalmente. Uma atitude verdadeiramente vergonhosa. Nesse longo intervalo, vários estudantes foram difamados.
Durante a invasão, os ultrajantes maledicentes disseram que a manifestação estudantil não era legítima, pois a classe estudantil não tinha este direito – de reivindicar melhores condições de permanência. Nesse sentido, ressaltamos a importância do movimento estudantil e das mobilizações, que é legítima e reivindica uma universidade que seja efetivamente pública, com condições e estrutura para exercer sua função social.
Por fim, a Semana de Geografia repudia veementemente as ações de grupos de extrema direita que agridem e caluniam o espaço universitário. Somos diametralmente opostos à visão limitada e antidemocrática destes grupos e não admitimos que continuemos sendo alvo deste tipo de ação, que ocorre desde o ano passado. Apregoamos aqui o estandarte da importância do diálogo e constituição de ações eficientes para a defesa da Faculdade e de seus estudantes. Por fim, expressamos solidariedade aos agredidos e apelamos à Direção da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, à Reitoria da Universidade de São Paulo e outros órgãos competentes para a apuração de mais um caso gravíssimo de violência política no âmbito da USP.
Comissão Organizadora da XXIII Semana de Geografia USP 2026 - Por uma Geografia do Esperançar
Nota pública das Presidências das Comissões de Inclusão e Pertencimento da USP
As Presidências das Comissões de Inclusão e Pertencimento da Universidade de São Paulo, das Unidades signatárias desta nota, manifestam profunda preocupação e veemente repúdio à violência praticada contra estudantes da USP no contexto da desocupação do prédio da Reitoria.
A retirada forçada de estudantes, realizada por meio de ação policial, representa grave escalada de um conflito que deveria ser enfrentado no âmbito da própria Universidade por meio do diálogo, da escuta qualificada, da mediação institucional e da construção democrática de soluções. A presença da força policial como resposta a reivindicações estudantis não pode ser naturalizada como instrumento legítimo de resolução de conflitos universitários.
Independentemente das distintas posições acerca da ocupação e dos acontecimentos recentes, reafirmamos que a integridade física, psicológica e moral das pessoas que compõem a comunidade universitária deve ser protegida em qualquer circunstância. O respeito à dignidade humana, ao direito de livre manifestação, à organização coletiva e à participação política é condição fundamental para a vida acadêmica e para a missão pública da Universidade.
A Universidade de São Paulo, como instituição pública, plural e comprometida com o ensino, a pesquisa, a extensão, a inclusão e a permanência estudantil, deve ser espaço de convivência democrática, capaz de acolher conflitos e dissensos sem recorrer à intimidação, à repressão ou à criminalização de estudantes.
Diante da gravidade da situação, conclamamos à retomada urgente do diálogo e da negociação, com respeito mútuo, responsabilidade institucional e compromisso com a superação democrática do impasse. Também consideramos fundamental que os acontecimentos e violações sejam devidamente apurados, com transparência e garantia de direitos humanos.
As Comissões de Inclusão e Pertencimento têm como princípio a defesa de uma Universidade mais justa, diversa, democrática e acolhedora. Por isso, reafirmamos nosso compromisso com a dignidade humana, com o direito à livre manifestação e com a institucionalidade democrática como fundamentos indispensáveis da vida universitária.
Assinam essa nota as Presidências das Comissões de Inclusão e Pertencimento: Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Escola de Comunicações e Artes, Escola de Enfermagem, Escola Politécnica, Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Faculdade de Direito de São Paulo (Largo São Francisco), Faculdade de Educação, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Faculdade de Medicina, Faculdade de Saúde Pública, Instituto de Arquitetura e Urbanismo, Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação, Instituto de Geociências, Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação, Instituto de Psicologia, Instituto de Química, Museu de Arqueologia e Etnologia, Museu de Arte Contemporânea, Museu Paulista
Nota dos estudantes da pós-graduação em Ciência Política da Universidade de São Paulo
É com grande preocupação que os discentes do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo receberam as notícias dos acontecimentos ocorridos na madrugada do dia 10 de maio de 2026.
A violência policial dentro do campus da USP, na calada da noite, direcionada contra estudantes que não tentavam ou podiam se defender, deve ser classificada como um ato explícito de covardia e ilegalidade. Como pesquisadores da política, não podemos deixar de notar a similaridade dessas ações com aquelas ocorridas nos tempos da ditadura militar – cujo legado, infelizmente, ainda persiste nas polícias. O mesmo pode ser dito sobre as estruturas e dispositivos normativos internos da universidade, nos quais as remanescências do autoritarismo apontam para uma necessidade de revisão pendente há décadas.
A estrutura normativa básica da Universidade de São Paulo ainda remonta à ditadura militar: é baseada no Decreto 52.906/1972. Ao longo dos anos, ocorreu uma espécie de sedimentação institucional: certos dispositivos foram suavizados, reinterpretados ou deixaram de ser aplicados literalmente; mas muitos artigos e, sobretudo, muitas lógicas administrativas autoritárias permaneceram. Isso gera uma situação peculiar: a USP é frequentemente apresentada como símbolo da redemocratização intelectual brasileira, mas parte importante de sua arquitetura institucional ainda deriva de um regimento elaborado no auge do regime militar e conserva elementos autoritários – como a eleição indireta da reitoria, já prevista no decreto governamental de 1969.
A possibilidade de forças policiais ingressarem na universidade, agredindo, humilhando e detendo estudantes representa um precedente extremamente preocupante para a autonomia universitária, princípio assegurado constitucionalmente e fundamental à existência de um espaço efetivamente livre para a produção de conhecimento. Em um contexto internacional marcado pelo avanço da extrema-direita e pela intensificação de ataques às universidades públicas, à liberdade acadêmica e aos movimentos estudantis, a naturalização de intervenções dessa natureza abre margem para formas cada vez mais autoritárias de repressão e vigilância no interior da universidade.
Ademais, entendemos que as demandas do corpo estudantil por medidas que assegurem sua permanência no campus são legítimas e não se inserem em um vácuo histórico. Pelo contrário, resultam do acúmulo de vários anos de descompasso entre as pretensões de inclusão da universidade (representada, sobretudo, pela política de cotas, cuja implementação já data de uma década) e sua disposição real a garanti-la. Na prática, milhares de estudantes foram incorporados ao corpo discente sem que se buscasse compatibilizar a estrutura de uma universidade até então amplamente frequentada pelas elites à nova realidade e ao tempo histórico em que está inscrita. Resulta, assim, que estudantes racializados e advindos das periferias são atingidos desproporcionalmente em sua capacidade de concluir com qualidade seus estudos e de vislumbrar possibilidades de ingresso em carreiras que, por décadas, foram reservadas à elite brasileira. Dessa maneira, manifestamos nosso apoio.
Tal situação de desigualdade e afronta à democracia deveria ocupar posição central nas prioridades da administração de uma universidade pública que se autoproclama inclusiva, democrática e socialmente comprometida. É inadmissível que uma instituição fundada sob os princípios do Estado Democrático de Direito deixe de assegurar mecanismos concretos de mobilidade social e igualdade de oportunidades para sujeitos de diferentes estratos sociais, raças, gêneros, sexualidades, condições de saúde e deficiência.
Manifestamos nossa solidariedade aos estudantes atingidos pela ação policial e reafirmamos a necessidade de apuração rigorosa dos episódios de violência ocorridos na desocupação da Reitoria. Repudiamos qualquer tentativa de coação institucional, de punição e intimidação ao movimento estudantil – já em curso em inquérito proposto pela Polícia Civil de São Paulo. O compromisso democrático pressupõe a garantia do direito à manifestação, à organização política e à livre participação da comunidade universitária, incompatíveis com ações de violência estatal.
Mais do que isso, esperamos que a Universidade de São Paulo tome ações concretas para que a inclusão no ensino superior não seja mero discurso. A repressão policial e autoritária não deve ser normalizada, sobretudo em um ambiente que busca produzir ciência, refletir criticamente e construir futuros que rompam com os padrões históricos de exclusão.
Discentes da Pós-graduação em Ciência Política da Universidade de São Paulo
Nota do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (Cenedic)
O Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (Cenedic-USP) manifesta sua profunda preocupação diante da utilização de violência policial para a desocupação do prédio da Reitoria da Universidade de São Paulo por parte da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
A presença da força policial no interior do campus universitário, especialmente em situações envolvendo mobilização estudantil, representa um grave tensionamento da autonomia universitária e do compromisso histórico da universidade pública com o diálogo democrático, a livre manifestação e a resolução política de conflitos.
Entendemos que divergências relativas às condições de permanência estudantil, assistência social, moradia, orçamento e políticas universitárias devem ser enfrentadas por meio da negociação aberta, transparente e respeitosa entre a administração da universidade e o movimento estudantil, e não pela repressão ou criminalização da ação política.
O Cenedic conclama a Reitoria da USP e as entidades representativas dos estudantes à retomada imediata do diálogo, em condições que favoreçam a construção de soluções negociadas e o restabelecimento de um ambiente de convivência democrática no interior da universidade.
A universidade pública deve permanecer como espaço de pensamento crítico, pluralismo e mediação democrática dos conflitos sociais.
São Paulo, 20 de maio de 2026