Por iniciativa das direções da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da Faculdade de Educação (FE), da Faculdade de Saúde Pública (FSP), do Instituto de Psicologia (IP) e do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE), realizou-se, em 19 de maio, reunião interunidades com o objetivo de instituir um espaço de diálogo voltado à construção de encaminhamentos para o atual cenário de conflito na Universidade de São Paulo (USP). A reunião teve como princípio orientador a busca por soluções negociadas, pautadas pelo respeito institucional, pela escuta qualificada e pela não adoção de medidas punitivas.
Na ocasião, representantes das unidades apresentaram informes acerca do andamento da greve estudantil, das relações estabelecidas com o movimento e suas representações, bem como das discussões em curso nas Comissões de Graduação e de Inclusão e Pertencimento. Foram igualmente destacados os desafios impostos pela conjuntura atual, incluindo as dificuldades de diálogo nas diferentes instâncias universitárias.
Após as exposições e o debate entre docentes, foram construídos os seguintes consensos:
● Reconhecimento da gravidade da ação da Polícia Militar ocorrida na madrugada de 10 de maio, que resultou em danos físicos, psíquicos e de natureza sexual a estudantes, ressaltando a necessidade de rigorosa apuração dos fatos e de reflexão institucional sobre a presença de forças policiais nos campi universitários;
● Necessidade de flexibilização do calendário acadêmico e de ampliação do diálogo no âmbito dos Conselhos de Graduação e da Pró-Reitoria de Graduação, de modo a evitar prejuízos à formação discente, especialmente nas unidades em que houve paralisação das atividades, bem como a não criminalização de estudantes em decorrência de sua participação no movimento grevista;
● Compromisso de docentes e gestores em intensificar os canais de interlocução com o movimento estudantil, centros acadêmicos, representações discentes e o conjunto do corpo discente, reconhecendo a diversidade de posicionamentos políticos e as desigualdades sociais, econômicas, raciais e de gênero que atravessam a vida universitária;
● Necessidade de avaliação dos impactos da greve nos programas de pós-graduação, com vistas à adoção de eventuais ajustes de calendário nos casos em que as atividades tenham sido interrompidas.
As unidades signatárias reiteram seu compromisso com a defesa da universidade pública, democrática e socialmente referenciada, e com a construção de soluções institucionais baseadas no diálogo, na mediação de conflitos e no respeito aos direitos da comunidade universitária.