O Centro de Pesquisa e Orientação sobre Deficiência Visual (CPODV) acaba de lançar o seu podcast, que tem como objetivo levar a discussão sobre deficiência visual para as mídias digitais, aproximando a sociedade das pesquisas desenvolvidas pelo centro. O primeiro episódio, Diálogo sobre Cegueira, Acessibilidade e Inclusão no Ensino Superior, foi ao ar no dia 9 de setembro, com apresentação do professor Rafael Yagüe Ballester, da Faculdade de Odontologia (FO) da USP, e teve as participações da professora Renata Barbosa Vicente, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e da aluna e pesquisadora da USP Ana Luiza Mikley Vinturini. O episódio está disponível gratuitamente no YouTube. O CPODV é um dos 34 Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) anunciou, em 2025, por meio de um edital.
Durante a conversa, os participantes compartilharam e discutiram os desafios de acessibilidade enfrentados por pessoas cegas no ensino superior. A conversa abordou PDFs mal estruturados, softwares incompatíveis com leitores de tela, falta de material adequado em braille e a falta de preparo de professores e profissionais para lidar com a inclusão. Também comentaram o projeto desenvolvido na UFRPE voltado à inclusão digital e educação financeira para idosos.
Um centro dedicado à inclusão
O CPODV desenvolve pesquisas e implementa tecnologias assistivas com o objetivo de promover a inclusão social, educacional, profissional e cultural de pessoas com deficiência visual, se propondo a contribuir para a inclusão e melhoria da qualidade de vida dessa população. O CPODV é um dos 34 Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) anunciou, por meio de um edital, no segundo semestre de 2025.
Além do financiamento da Fapesp, o centro conta com a participação da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e tem como sua instituição sede a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. A professora Maria Célia Pereira Lima Hernandes (FFLCH) é a pesquisadora e coordenadora responsável, juntamente com Cleyton Fernandes Ferrarini, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Maria Célia explica que o centro é formado por um grupo interdisciplinar, com pesquisadores de várias unidades da USP que já trabalhavam de forma isolada sobre deficiência visual e agruparam seus trabalhos no CPODV. As atividades estão divididas em quatro eixos temáticos interconectados: Mapeamento e Observatório da Deficiência Visual (MOb), Abordagens Didático-Pedagógicas e Desenvolvimento de Soluções Estratégicas (ADPD), Recursos para Atividades de Vida Autônoma (RAVA) e Acessibilidade Cultural (AC).
Em entrevista ao Jornal da USP, Nelson Alves Caetano, chefe do Escritório de Apoio Institucional ao Pesquisador da FFLCH e membro do CPODV, comenta que a criação do centro foi motivada pela existência de lacunas significativas na oferta de serviços e políticas voltadas à plena inclusão das pessoas com deficiência visual. “Ele surge como resposta à necessidade de garantir não apenas o acesso a recursos educacionais e culturais, mas também de promover condições de autonomia, empregabilidade e participação cidadã. Nesse sentido, sua missão é atender demandas que vão desde a formação profissional até a acessibilidade digital, passando pela valorização da cultura e pela defesa dos direitos humanos.”
Nelson também destaca que a participação das pessoas com deficiência visual na construção dos projetos do CPODV é concebida como elemento central e estruturante. “Elas não são apenas beneficiárias, mas protagonistas do processo, contribuindo com suas experiências e perspectivas em conselhos consultivos, grupos de trabalho e oficinas colaborativas.” Essa metodologia de cocriação assegura que os projetos reflitam necessidades reais e que as soluções sejam construídas coletivamente, evitando a imposição de modelos externos e fortalecendo o protagonismo da comunidade.
Novos espaços para falar sobre deficiência visual
Segundo a coordenadora Maria Célia, a ideia de produzir o podcast foi orientada pelo desejo das equipes do CPODV em dialogar com a sociedade. “Muita invenção importante e que teria impacto positivo na vida das pessoas acaba ficando nas prateleiras das universidades, e isso não queríamos que ocorresse”. Para ela, além de fazer com que temas sejam debatidos, é preciso criar uma maior conscientização e contar sobre avanços para a comunidade.
Nelson, também complementa que essa estratégia surgiu para ampliar os canais de comunicação e difusão das iniciativas do CPODV, utilizando um formato acessível e inclusivo para pessoas com deficiência visual. “O objetivo principal é oferecer um espaço de informação, sensibilização e troca de experiências, permitindo que vozes da comunidade sejam ouvidas e que temas relevantes sejam discutidos de forma ampla.”
Texto publicado originalmente no Jornal da USP, escrito por Evelyn Rodrigues, sob orientação de Antonio Carlos Quinto: https://jornal.usp.br/diversidade/centro-de-pesquisa-da-usp-lanca-podcast-para-debater-deficiencia-visual-acessibilidade-e-inclusao/