Revista de literatura brasileira estuda relação entre ficção e história

Teresa, a revista de literatura online da FFLCH, publicou sua 23ª edição e acaba de abrir chamada de trabalho para seu próximo lançamento
Por
Gabriela César
Data de Publicação
Editoria

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A 23ª edição da Teresa: revista de literatura brasileira, revista semestral do Programa de Pós-Graduação em Literatura Brasileira da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciência Humanas (FFLCH) da USP, acaba de ser publicada em formato digital. Nesta edição, os organizadores da revista abriram espaço para pesquisadores enviarem suas colaborações sobre “História e a ficção na literatura brasileira”.

Segundo a Comissão Editorial da Teresa, “as contribuições diversas fornecem um panorama amplo, senão dos estudos e objetos sobre os quais se coloca o problema da relação entre ficção e história (uma totalidade impossível mesmo como amostragem), sobretudo das múltiplas vertentes e métodos em que essa relação pode ser pensada e articulada”.

A revista tem o objetivo de publicar pesquisas e investigações avançadas, concluídas ou em andamento, que sejam capazes de contribuir efetivamente para a literatura brasileira. Além de um dossiê, a Teresa publica trabalhos inéditos em formato de ensaios, artigos, entrevistas e resenhas de livros.

Sinopse da 23ª edição da Teresa

Na seção de ensaios, A ruína, a contingência, de Raul Antelo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), perfaz uma série de reflexões sobre o motivo da ruína em uma variedade de obras e períodos e propõe que, mais que um tema ou símbolo, ela seja lida como a própria experiência da temporalidade na linguagem. Em Michel de Certeau e a ordem simbólica, João Adolfo Hansen (FFLCH) perscruta o pensamento, o estilo e a multiplicidade de objetos e repertórios do historiador francês, indagando o alcance de suas proposições para a articulação do par “literatura e história”.

Na seção de artigos, dois textos são relativos às letras do período colonial: em Violência e valor: crônica do nascimento do Brasil contada por Manuel Calado no livro O valeroso Lucideno, de 1648, de Maria do Socorro Fernandes de Carvalho da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e O reino da estupidez: sátira estudantil portuguesa anônima do século XVIII, de Marcia Arruda Franco (FFLCH), as práticas retóricas e poéticas são historicizadas e relacionadas a outras práticas simbólicas codificadas para que se permita oferecer leituras e juízos críticos não anacrônicos dos textos.

Em seguida, O alienista: uma paródia jurídico-política?, de Jean Pierre Chauvin da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, discute uma possível relação de diálogo entre o conto de Machado de Assis e fontes primárias, como o decreto-lei de instituição do primeiro hospital de alienados do Brasil, de 1841.

Dois artigos abordam, nesta seção, autores e obras do primeiro momento modernista: em Poemas da Colonização: a escrita poética da história em Pau Brasil, de Luiz Octavio Ancona, discute-se a situação e a representação da matéria histórica do livro como efetivamente relativa ao período imperial, supondo o “colonial”, presente no título da seção do livro de poemas de Oswald, como herança, o que de resto é determinante de toda a formação histórica brasileira. Em A propósito de Pagu, Walnice Nogueira Galvão do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, recupera o anedotário em torno da escritora modernista, contrapondo-o às atuais pesquisas em fontes documentais, ao mesmo tempo em que valoriza a presença de Pagu no imaginário popular, sobretudo por meio da música.

Na sequência, dois artigos se debruçam sobre obras críticas: em Antonio Candido e a formação da crítica literária no Brasil: aposta e risco, Jefferson Agostini Mello (FFLCH) articula o pensamento crítico do autor de Formação da literatura brasileira às questões prementes do debate literário no momento da escrita de duas de suas principais obras, datadas das décadas de 1950 e 60. Em O populismo literário (nota sobre Alfredo Bosi), Lincoln Secco (FFLCH) analisa a recepção de Jorge Amado por Bosi e o diálogo do crítico com as ideias políticas de seu tempo.

Por fim, em Reescrevendo 1968: a ficção e a invasão a universidades públicas, José Godoy analisa duas chaves para a representação do tema dos traumas da história recente da América Latina na ficção: uma delas leva em conta a tradição do romance realista e outra, a estilização ficcionalizada da história oral e da literatura de testemunho.

Na seção de documentos, Cilaine Alves Cunha (FFLCH)  apresenta um poema de J. Ramos Coelho, autor obscuro do grupo em torno da Faculdade de Direito de S. Paulo no século 19, cujos versos interessam por tomar como referência o estilo de Gonçalves Dias para recuperar um tema por ele abandonado, o da crítica à escravidão.

Na seção de criação literária, apresentamos Incêndios, poema tríptico de Marília Garcia (FCRB) que combina reflexões sobre a memória pessoal, os vínculos familiares e a historicidade, em diálogo com a linguagem da fotografia.

Por fim, na seção de resenhas, os autores elaboram considerações sobre obras recentes com contribuições para a historiografia literária, como Manuel da Nóbrega: obra completa e As letras na terra do Brasil (séculos XVI a XVIII): uma introdução.

Chamada de trabalhos para a 24ª edição

A próxima edição da revista Teresa buscará investigar os processos de tradução, circulação e recepção, no espaço internacional, da literatura produzida no Brasil ao longo de sua história. Serão aceitos artigos e resenhas de doutores e doutorandos até 11 de maio de 2026.

Para mais informações, acesse o site da Teresa.

Com informações da Comissão Editorial e do site da Teresa.