Nota de falecimento: Carlos Guilherme Mota

Referência em estudos sobre cultura, história política e do Brasil, além de vencedor do Prêmio Machado de Assis pela ABL, Carlos Guilherme Mota atuou em instituições como USP, Unicamp e Mackenzie
Por
Ana Julia Oliveira
Data de Publicação
Editoria
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Foto original: Marcos Santos/Jornal da USP. Manipulação digital: Gabriela César

Informamos com pesar o falecimento de Carlos Guilherme Santos Serôa da Mota, docente do Departamento de História e Professor Emérito da FFLCH, aos 85 anos, na quarta-feira, 20 de maio. O professor foi velado na tarde desta quinta-feira, 21 de maio, em São Paulo.

Nascido em São Paulo, em 1941, Carlos Guilherme Mota se graduou em História pela FFLCH em 1963. Iniciou sua carreira acadêmica em 1964, ainda na USP, com uma Especialização em História da Educação, e três anos depois, concluiu seu Mestrado em História Moderna e Contemporânea, com a dissertação Ideia de Revolução do Brasil.

Em 1970, concluiu o Doutorado em História Moderna e Contemporânea pela FFLCH, com a tese Nordeste, 1817. Cinco anos depois, se tornou livre-docente na Instituição após defender a dissertação Ideologia da Cultura Brasileira. Em 1997, finalizou o pós-doutorado na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. 

Passou a lecionar na Universidade Presbiteriana Mackenzie no início dos anos 2000 e, mais tarde, se tornou Professor Titular na instituição, onde ensinava História da Cultura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Também era presidente do Comitê Científico da universidade. Em 2009, recebeu o título de Professor Emérito na FFLCH. 

Foi professor visitante no Centro de Estudos Brasileños da Universidad de Salamanca; Universidade de Londres; Texas e também na Escola de Altos Estudos, em Paris. Foi um dos fundadores do Memorial da América Latina, inaugurado em 1989, e ex-diretor do Arquivo do Estado de São Paulo. 

Em 1986, ajudou a fundar o Instituto de Estudos Avançados da USP, e foi diretor da instituição até 1988. Foi Professor Titular do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). 

Foi consultor da Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior — assessoria do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico —, e consultor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Foi membro do conselho editorial da Revista Minius, da Universidade de Vigo, Revista de Estudos Avançados da USP, Revista Eletrônica Intellectus e Revista Eletrônica Aedificandi. 

Em 2011, recebeu o Prêmio Machado de Assis pela Academia Brasileira de Letras, que reconheceu o conjunto da sua obra. Entre algumas de suas publicações, estão Ideologia da Cultura Brasileira (1933-1974), de 1977; História do Brasil: Uma interpretação, de 2008; História e Contra-história: perfis e contrapontos, de 2010; e Nordeste 1817: Estruturas e Argumentos, de 2022.