Nascimento de Victor Hugo

Um dos maiores escritores do romantismo da França e do mundo

Por
Astral Souto
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"Não por acaso, encontramos referências à sua personalidade como o Homem-Século ou o Homem-Oceano. São imagens que dizem respeito à grandiosidade de sua contribuição para a literatura e para o pensamento ocidental". Diz a professora Grace Alves da Paixão. (Arte por: Astral Souto) 

Victor Hugo, principal referência em obras romancistas na França e autor de Os Miseráveis e O Corcunda de Notre Dame, nasceu em um período conturbado em meio às revoltas políticas francesas, em 1802. Poeta e também dramaturgo, Hugo tinha era republicano, contra a pena de morte, a escravidão, a opressão feminina e a miséria, que se alastrava de forma violenta por toda França durante os séculos 18 e 19. 

Seu envolvimento e posição política - foi parlamentar durante a Monarquia de Julho (de 1830 a 1848), durante a Segunda República (de 1848 a 1852) e durante a Terceira República (que foi restabelecida em 1870) - resultou em obras famosas que abordavam a França sobre os olhos de grupos oprimidos, entre elas, Nossa Senhora de Paris (1831), depois readaptada como O Corcunda de Notre Dame, que, de forma resumida, conta a história de Quasímodo e Esmeralda, um homem com deformações físicas e uma linda cigana. Esmeralda é perseguida e condenada como bruxa por um estado fundamentado em padrões egoístas e não racionais, enquanto Quasímodo é condenado por um tribunal que não enxerga a possibilidade de sua inocência.

Porém, a visão política de Hugo voltada para a esquerda nem sempre foi a mesma. Em 1819, publicou a revista Le conservateur littéraire, junto com seus irmãos. A revista revelava o apoio do autor à monarquia da França. Em 1821, depois de ganhar vários concursos de poesia, publicou suas primeiras odes que encantaram o público e o rei Louis XVIII, que deu a ele uma pensão anual. Em 1823, fundou o periódico A Musa Francesa, que tentava combinar a estética romântica crescente com as políticas conservadoras. 

Seu pensamento republicano e revolucionário veio surgindo aos poucos. Grace Alves da Paixão doutora em Letras pela Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP afirma que “o poema ‘Escrito em 1846’, publicado em As Contemplações (1856), traz à tona um olhar do poeta sobre sua trajetória: sua guinada política é vista como um sinal do progresso de seu pensamento. A injustiça no âmbito jurídico e a pena de morte, assim como a pobreza e a condição desumana trazida pela experiência cruel da miséria são temas recorrentes em toda sua literatura, em especial em seus romances e em sua poesia”.

Confira a entrevista completa concedida ao Serviço de Comunicação Social pela professora Grace Alves da Paixão

Serviço de Comunicação Social: Você poderia comentar brevemente sobre quem foi Victor Hugo, para os leitores que ainda não o conhecem?


Grace Alves da Paixão: Não é simples evocar a memória de Victor Hugo de modo breve. Ele nasceu na França em 1802, tempo em que os estremecimentos da Revolução Francesa ainda vibravam com força. Até sua morte, em 1885, vivenciou as conturbadas transformações políticas e sociais do tempo, as quais o marcaram profundamente. Importa observar que, em seu país, ao longo do século 19, o clima era de instabilidade, haja vista os sete regimes políticos pelos quais passou: três monarquias, duas repúblicas e dois impérios. Nesse período, houve uma rápida passagem da economia rural para a industrialização: o êxodo rural originou uma urbanização carregada de miséria e de superexploração do trabalhador, numa sociedade em que a noção de direitos ainda era incipiente. Além disso, revoltas populares e motins se avolumavam: são exemplos as Três Gloriosas (1830), a Revolução de Fevereiro (1848) e as comunas (1870 e 1871).
Nesse cenário, o escritor atuou na vida pública como uma figura intelectual, política e literária. Ele deixou uma obra vasta, que compreende a poesia lírica, épica e satírica, o teatro e o romance, além de discursos políticos, correspondências, comentários sobre literatura, memórias, notas, anotações de viagens e desenhos feitos com nanquim. Pelo conjunto de sua obra, é considerado um dos grandes nomes da literatura ocidental em língua francesa. Seu trabalho foi fundamental na consolidação do Romantismo não apenas na França, mas em diversos outros países, onde alcançou um grande público leitor, tanto em sua contemporaneidade, quanto nas gerações posteriores. O Brasil é um desses países e nossa literatura, que é antropofágica, apresenta ecos das leituras que nossos escritores fizeram de Hugo.
Em especial, seus romances ainda são reeditados, lidos e adaptados para séries televisivas, peças teatrais, musicais, filmes, quadrinhos e até jogos digitais. Talvez os mais conhecidos sejam Nossa Senhora de Paris (1831) e Os Miseráveis (1862). O primeiro conta com uma dezena de adaptações para o cinema, incluindo o conhecido O Corcunda de Notre-Dame, animação produzida pela Disney em 1996, e a peça musical franco-quebequense, Notre-Dame de Paris (comédie musicale), produzida em 1998 por Luc Plamondon, Richard Cocciante e Gilles Maheu. O segundo foi transformado em película em mais de trinta obras cinematográficas ao longo do século 20 e início do 21, além de outras tantas traduções para outras artes e mídias. 
Não por acaso, encontramos referências à sua personalidade como o Homem-Século ou o Homem-Oceano. São imagens que dizem respeito à grandiosidade de sua contribuição para a literatura e para o pensamento ocidental. Leia-se: um pensamento republicano e democrático, ávido por justiça e igualdade, envolvido na luta contra a miséria, pacifista, protetor da infância, anti-escravagista, crítico à opressão feminina, contrário à pena de morte, idealizador de uma Europa unificada. 
Por tudo isso, foi consagrado ainda em vida: eleito para a Academia Francesa em 1841. Tal reconhecimento pode ser observado em 1885, na ocasião de sua morte: houve funeral público com honrarias fomentadas pelo Estado francês, o qual vivia – depois de um longo período de ditadura – a chamada Terceira República, isto é, o regime republicano restaurado em 1870, pelo qual Victor Hugo havia lutado com todas as suas forças. Calcula-se que dois milhões de pessoas tenham ido à Paris prestar-lhe homenagem nos dois dias em que seu corpo permaneceu exposto. Trata-se de um fenômeno importante, considerando que o mundo não contava com os meios de comunicação de massa tão efetivos como hoje!
 
Serviço de Comunicação Social: Qual a conexão entre a visão política de Victor Hugo sobre a França e suas obras?

Grace Alves da Paixão: Victor Hugo foi homem das Letras e figura política: parlamentar durante a Monarquia de Julho (regime que durou de 1830 a 1848), durante a Segunda República (regime que durou de 1848 a 1852) e durante a Terceira República (que foi restabelecida em 1870). Bradava contra a pena de morte, defendia a redução do trabalho infantil e a erradicação da miséria. Um exemplo está em um de seus discursos mais famosos, proferido na Assembleia Nacional em julho de 1849: Destruir a Miséria.
A palavra engajamento – literário e político – é, portanto, fundamental na construção de sua obra. Seu engajamento literário está na quebra de padrões formais e temáticos herdados das poéticas dos séculos anteriores, isto é, buscava renovar a poesia e o teatro. O engajamento político-ideológico confere à sua pena uma função social afinada com os ideais de Igualdade, Liberdade e Fraternidade, os quais ecoavam desde a Revolução Francesa: muitas de suas obras denunciavam as injustiças sociais e as tiranias.
A trajetória de Victor Hugo revela um homem em transformação. Ele começara a escrever poemas desde jovem: queria ser como Chateaubriand, um dos precursores do romantismo francês. Dos quinze aos dezoito anos, participou de alguns concursos de poesia, tendo ganhado alguns deles. Em 1819, aos dezessete anos de idade, fundou a revista O conservador literário, que tinha aspiração pró-monarquia. Em 1821, publicou suas primeiras Odes, obra que teve grande aceitação do público e o fez ser agraciado pelo rei Louis XVIII com uma pensão anual. Ou seja, ainda não estamos diante do escritor republicano e engajado que se formará aos poucos. Como outros românticos de sua geração, somente no final da década de 1820 se aproximará dos ideais liberais. 
Por um instante, conseguimos imaginá-lo ainda jovem a discutir os assuntos de literatura que fizeram florescer a estética romântica, seja nas reuniões da revista A Musa Francesa, ou nas sessões promovidas por Charles Nodier na Biblioteca L’Arsenal, no Cenáculo, ou em sua casa, onde recebia Musset, Sainte-Beuve, Lamartine, Mérimée, entre outros. Desta primeira fase, destaca-se o prefácio d’As orientais (1829), em que o poeta reivindica a liberdade da arte para fantasiar e imaginar, assim como o prefácio da peça Cromwell (1827), um manifesto de combate às convenções do teatro clássico e em defesa de um gênero híbrido: o drama romântico. 
Tendo sido educado sob a égide de valores monarquistas e, portanto, aristocráticos, torna-se cada vez mais visível sua sensibilidade para questões sociais, numa visada republicana e, logo, burguesa. O poema “Escrito em 1846”, publicado em As Contemplações (1856), traz à tona um olhar do poeta sobre sua trajetória: sua guinada política é vista como um sinal do progresso de seu pensamento. A injustiça no âmbito jurídico e a pena de morte, assim como a pobreza e a condição desumana trazida pela experiência cruel da miséria são temas recorrentes em toda sua literatura, em especial em seus romances e em sua poesia.
O romance Han d’Islande (1823) explora a situação dos trabalhadores da mineração na Noruega, que eram submetidos a condições de escravidão, e expõe a desumanidade da condenação extrema, tema que será central em O último dia de um condenado (1829). Nossa Senhora de Paris (1831) encena a condenação de Quasímodo, num tribunal que abandona a presunção de inocência, e de Esmeralda, condenada por bruxaria por um Estado calcado em critérios não racionais. No romance, os ciganos representam os excluídos da sociedade. Nesse mesmo ano, lança As folhas de outono: chama atenção o fato de que, junto a poemas de um lirismo pessoal cândido e melancólico ou imaginativo, está uma peça como “Para os pobres”, em que o eu lírico conclama os ricos a mirarem a injustiça social e a condição do proletário. Um romance de 1834, Claude Gueux, por sua vez, denuncia as condições do cárcere e as penas desproporcionais para delitos menos graves. Em 1845, escreve Les Misères, um esboço do que virá a ser, provavelmente, sua obra mais aclamada: Os Miseráveis (1862), ápice de sua literatura social. 
No Segundo Império, período entre a segunda e a terceira repúblicas, Victor Hugo exilou-se da França no intuito de demarcar sua posição contrária a Napoleão III: em território inglês (as ilhas de Jersey e de Guernesey), por dezenove anos, fez oposição feroz ao regime. Aqui cabe uma nota: trata-se do governo de Louis-Napoléon Bonaparte, intitulado Napoleão Terceiro. Não podemos confundi-lo com o primeiro Napoleão Bonaparte, que havia sido imperador da França no início do século. Louis-Napoléon fora eleito por voto em 1848, mas em 1851 infringiu um golpe de estado: para não deixar o poder, rompeu com o pacto republicano e instaurou um período conhecido como Segundo Império, que durou de 1852 a 1870. Frente a esse regime, Victor Hugo usou sua escrita para expressar sua indignação contra a tirania, em favor da República.
Desta fase, vale a leitura de Os Castigos, lançado em 1853: trata-se de poemas em tom satírico que ridicularizam a figura do imperador e denunciam tanto o Dezoito Brumário de Napoleão Bonaparte (datado de 1799), quanto o Golpe de Estado de Louis-Napoleão (de 1851). O primeiro é retratado como um criminoso que tomara o poder por força de violência. O segundo, como um traidor da pátria que fora infiel aos seus votos de obediência aos preceitos republicanos e que reprimia violentamente qualquer manifestação contrária. Numa visão cosmológica dos acontecimentos, o eu-lírico interpreta essas figuras como castigos divinos pelos quais a França deveria passar e o poeta, mensageiro divino de uma vitória vindoura, encorajava o povo a rebelar-se contra a violência do Estado.
Pouco tempo depois, por volta de 1854, Hugo retomava o tema do horror da pena de morte em uma série de desenhos que realizou, chamada de O enforcado. E embora suas Contemplações (1856) tenham um tom lírico muito diferente do tom combativo e satírico de Os Castigos, é possível encontrar peças como “O mendigo”, que retrata, de modo poético e idealizado, a maneira como um miserável deve ser cuidado por aqueles que têm dinheiro e conforto. Também nesse livro está o poema “Les malheureux”, o qual poetiza o encontro do poeta com um indigente: sua reflexão sobre a verdadeira riqueza estar em coisas imateriais não deixa de descrever a penúria do pobre. 
Haveria muito a ser dito a respeito da visão política de Victor Hugo sobre a França e seus ecos na literatura que produziu. Mas creio que as poucas palavras desse texto já ilustram o quanto há correspondências entre sua mundividência e sua produção literária. Fica, nesse breve comentário, o convite para que sua obra seja cada vez mais lida e possa continuar a vibrar em nossa sociedade.


Serviço de Comunicação Social: Na sua opinião, por que Victor Hugo é considerado um dos principais líderes do romantismo na França e no mundo?

Grace Alves da Paixão: Ventos românticos já sopravam em território francês desde o final do século 18, com autores como André Chénier e Mme de Staël. Os anos de 1820 foram palco de um movimento intenso em torno da literatura, o qual envolvia atores diversos: Vigny, Lamartine, Sainte-Beuve, Musset, são exemplos sempre lembrados. A atuação de Victor Hugo está vinculada a toda uma conjuntura literária propiciada pela chegada de um novo sentimento estético, isto é, a uma rede de intelectuais e literatos sensíveis às mudanças do tempo. Por sua personalidade e seu empenho, foi um dos principais líderes que consolidaram o romantismo na França.
    Em 1819, fundou a revista Le conservateur littéraire, junto com seus irmãos Abel e Eugène: no prefácio de uma edição publicada em 1820, os autores afirmam que almejavam servir o trono e a literatura, reavivar o gosto pelas Letras e propagar a monarquia. Em 1823, com outros nomes daquela geração, fundou o periódico A Musa Francesa, que também tentava aliar uma estética romântica a valores politicamente conservadores, ou seja, partidários da realeza. Por volta de 1824, participou ativamente do salão literário de Charles Nodier, onde o romantismo era cultivado. Nesse período, já despontava como um líder de um movimento.
    O prefácio do livro de poemas Odes et Ballades (1826) é emblemático: ele buscava a liberdade da arte. Em 1827, já era reconhecido por seus contemporâneos como uma voz capaz de fazer ecoar uma nova literatura e já dava sinais de uma virada no campo ideológico rumo à esquerda, que se consolidaria com o passar dos anos. Sainte-Beuve vai alcunhar de Cenáculo o grupo que se reunia em torno de Hugo, o qual era formado por homens de tendências político-ideológicas diferentes, mas que tentavam se unir em torno da causa da literatura: a renovação das formas e a quebra de regras ainda vigentes, estabelecidas em poéticas como as de Boileau (século 17).
    Nesse mesmo ano, publicou a peça Cromwell, cujo prefácio é lido até hoje como um dos maiores manifestos do romantismo: em uma linguagem eloquente, o escritor defende o drama, o grotesco e a liberdade do teatro. Em 1830, Victor Hugo estará no centro de uma verdadeira querela entre antigos e modernos, conhecida como “a batalha de Hernani”. A peça, um drama romântico, quebra com as regras do teatro clássico, diga-se o teatro de Racine, Corneille e Molière. O prefácio de Hernani (1830) também revela um Victor Hugo enérgico no combate ao teatro clássico.
As reações fervorosas à encenação de Hernani, tanto de aplausos e críticas laudatórias, quanto de vaias e comentários negativos, revelam um clima tenso nos embates éticos e estéticos da época. Victor Hugo, que na adolescência havia declarado “Quero ser Chateaubriand ou nada”, agora aos vinte e oito anos de idade recebia do poeta uma palavra elogiosa, conferindo-lhe a condição de quem continuaria seu trabalho na renovação das Letras Francesas.
    Para leitores do século 21, talvez seja difícil compreender o impacto de seu ativismo, afinal, já nascemos em um contexto onde a literatura, depois do romantismo e depois das vanguardas, é livre de muitas amarras. Nascemos em um mundo onde a nudez da poesia foi revelada, como afirmou Mário de Andrade n’A escrava que não é Isaura (1925). Nesse sentido, interessa observar as formas e temas literários anteriores e comparar com a proposta dos românticos: Victor Hugo é certamente figura central no percurso de um romantismo que vai se perfazendo ao longo de todo o século 19. 
    Durante toda a década de 1830, a pena hugoana foi frutífera no trabalho de escrita de dramas românticos: Lucrécia Borgia (1833), Maria Tudor (1833), Angelo (1835), Ruy Blas (1838). Em 1838, ele e Alexandre Dumas (o pai) fundaram o Théâtre de la Renaissance, com o objetivo de garantir uma sala e uma companhia próprias ao gênero cultivado por eles. Primeiramente, as peças eram encenadas na Salle Vendatour e somente em 1872 o teatro passou a ocupar o prédio que até hoje o abriga. A conquista de uma trupe e de uma sala é significativa do sucesso obtido em vida. A permanência do teatro até os dias atuais indica o seu legado para a posteridade.
    Sua obra, apesar de estar imbricada aos acontecimentos e contextos da França, alcança imensa repercussão em todo o Ocidente. Suas ideias sobre arte e sobre política, assim como suas obras, tocam e inspiram pessoas do mundo todo, em diferentes localidades e culturas. Em nosso país, desde o romantismo do século 19 até os dias atuais, Victor Hugo é admirado. Pela sua atuação e pelo conjunto de sua obra, conquistou o lugar de liderança de todo um movimento, que não é coeso, nem uníssono. A magnitude e complexidade da obra hugoana é simbólica da grandiosidade e diversidade do próprio romantismo.


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Grace Alves da Paixão é doutora em Letras pela FFLCH USP e professora na Universidade Federal do Espírito Santo desde 2013. Possui experiência com temas relacionados à Literatura Brasileira, à Literatura Francesa e à Literatura Comparada. Atualmente, desenvolve pesquisa em torno do periódico Vida Capichaba, com o objetivo de analisar a circulação da literatura nos anos de 1920. Na graduação, também cursada na USP, desenvolveu pesquisa de Iniciação Científica acerca dos temas natureza e artificialidade nas poesias de Victor Hugo e Charles Baudelaire. No Mestrado, estudou as figuras femininas nas poesias dos dois poetas. No Doutorado, pesquisou a presença francesa na crítica literária de Sérgio Buarque de Holanda. Mestrado e Doutorado contaram com apoio financeiro da bolsa Capes.